A MACEDÓNIA DO NORTE

 

Em 1992 tive oportunidade de estar presente numa Assembleia Geral da Associação Europeia  de Ténis (ETA) onde, naturalmente, convivia e trocava muitas opiniões  com os Presidentes das Federações dos outros países europeus. Mantinha com alguns deles, como sucede sempre nestes casos, relações de maior simpatia e proximidade, embora a comunhão de interesses e objetivos todos ligasse com a mesma cordialidade . Lembro-me bem da amizade que fui mantendo, durante anos, com os representantes de Espanha, Grécia, Malta, Croácia, Irlanda, Itália e Ucrânia. Com alguns deles fui-me encontrando, posteriormente, em Assembleias do Comité Olímpico Internacional nas quais, por coincidência, acabámos também por participar.

Regressando à Assembleia de 1992 recordo, com simpatia, a abordagem que me foi feita pelo Presidente , que eu não conhecia, da à data chamada FYROM (Former Yugoslav Republic Of Macedonia), em português Antiga República Jugoslava da Macedónia.  A antiga Macedónia ocupava uma zona territorial que se estendia por zonas de países atuais, tais como a Albânia, a Bulgária, o Kosovo e a Grécia, países, aliás, com os quais tem, presentemente, fronteira.  A FYROM tinha ficado independente em 1991 e desejava inscrever-se nas instituições internacionais. O problema era, na altura, a Grécia que levantava muitos problemas  diplomáticos,  pelo facto de a região norte da Grécia se chamar Macedónia e eles recearem futuras tentativas de expansionismo e  reivindicações territoriais. Por isso, nessa altura, era essencial que, aos poucos, o reconhecimento se fosse dando nas diversas instituições,  para uma progressiva estabilização do país. O presidente da Federação já tinha percebido que eu mantinha boas relações com o Presidente da Federação grega e por isso me perguntou se me importaria de falar com ele e saber da sua disponibilidade para o voto favorável à inscrição da FYROM na Associação Europeia de Ténis. Disse-lhe que o faria com todo o prazer. E fiz. O nosso amigo grego sorriu-me e disse em inglês mascavado: “Claro que voto a favor, quero lá saber disso!” Apresentei-os,  ficaram amigos e o voto foi feito com a unanimidade da assembleia. O mesmo se veio a passar no Comité Olímpico Internacional.

Tudo isto vem a propósito da recente perturbação ocorrida no governo grego ainda, imagine-se, com base neste diferendo diplomático. Depois da independência a FYROM , na sua qualidade de república parlamentar (com capital em Skopie), pretende ser aceite nas Nações Unidas, na União Europeia e na NATO. A sua designação internacional definitiva foi acordada como República da Macedónia do Norte, para entrar definitivamente em vigor em Fevereiro de 2019. Em 2018 os governos Grego e Macedónio ratificaram esse acordo. No entanto, no mês passado, Panos Kammenos, lider do partido de extrema direita “Gregos Independentes”, há anos em coligação com o partido de Alexis Tsipras, abandonou o governo (juntamente com outros seis membros do seu partido) por não concordarem com a consumação do nome da República da Macedónia do Norte e criando, dessa forma, uma difícil crise governamental. Tsipras propôs um voto de confiança ao parlamento de forma a garantir a sua permanência até outubro de 2019. O tema é preocupante pela influência que a Rússia tem nos Balcãs, embora Bruxelas e Washington suportem o acordo alcançado. Angela Merkel, aliás, (sempre ela) numa recente visita à Grécia elogiou Tsipras pela coragem demonstrada numa posição que só poderá favorecer a Europa.  Os ânimos estão, pelo menos, contidos mas as preocupações não deixaram de existir.

Por isso me lembrei, nesta altura, do meu amigo Presidente da Federação de Ténis da FYROM (que deixei de ver há alguns anos) que tão cedo se envolveu numa ação diplomática da qual o seu país, passados todos estes anos,  ainda não se libertou. Talvez hoje ele exerça funções de maior responsabilidade e não deixará de contar aos seus amigos as simpáticas ajudas que recebeu em 1992.

 

Um pensamento sobre “A MACEDÓNIA DO NORTE

  1. Um bom artigo, que normalmente não é discutido, mesmo em tempo de eleições…! Os Balcãs, o calcanhar de Aquiles, de uma Europa que ainda não desperto, para a importância do seu conjunto ? Mais uma situação preocupante, para a sua coesão. Esta Europa das capelinhas, retalhada desde a sua nascença, tão fácil de ser manipulada à distância…!

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