O CERCO MEDIEVAL

 

O judeu Jared Kushner, assessor fundamental, negociante e familiar do Presidente Trump, resolveu consultar alguns livros de História medieval europeia e cultivar-se um pouco sobre temas que lhe eram completamente estranhos mas que, levando em conta as suas ancestrais raízes, não seria decente desconhecer por completo. Além de que o sogro já lhe tinha encomendado uma douta opinião sobre o que fazer àquela “gente” da Palestina e dar uma ajuda ao seu amigo Bibi que não está, propriamente, na melhor das marés. E aproveitava-se também esse importante passo diplomático para levar de vencida o aborrecido e “injusto” impeachment” com que os estupores dos democratas o andam a chatear  (a Pellosi chega a ser insuportável).  E o genro Jared não esteve com meias medidas: reuniu uns sábios da corte (Casa Branca) e prepararam diversos desenhos e soluções que, à revelia dos tais palestinianos, seriam, seguramente, o ponto final para a interminável desordem do médio oriente que dura desde a fundação do estado judaico em 1948. As decisões já anteriormente aprovadas por governos e instituições internacionais, promovendo a existência de dois países (Acordo de Camp David, Conferência de Madrid, Acordos de Oslo I e II, por exemplo) passaram a ser consideradas papéis para rasgar, prática que, como em muitos outros casos, Trump já utilizou com êxito pleno. E de todos os mapas apresentados por Kushner e a sua gente, Trump pôs o seu sagrado visto de aprovação numa solução que muito agradaria ao seu amigo Bibi.

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Como se pode ver, a solução segue fielmente as matrizes políticas e bélicas da Idade Média: cerca-se o castelo e dá-se-lhes a comida que forem precisando. E na mancha amarela que se pode ver acima, ainda pululam centenas de colonatos israelitas que, naturalmente, se manterão em permanência. O Vale do Jordão sai da órbita palestiniana por, evidentemente, não precisarem dela e, em contrapartida, arranja-se-lhes um túnel através do deserto do Negev para que eles possa chegar à faixa de Gaza e, portanto, tomar uns banhos de mar. Até para irem ao Mar Morto (segundo se diz, o nível de mar mais baixo do mundo) os palestinos passam a precisar de passaporte para curarem as suas maleitas (diz-se que aquela água salgada tem efeitos milagrosos).

É claro que este texto está escrito com algum humor, o humor possível para um assunto desta importância, que denega tudo o que já foi avançado e que, naturalmente, vai criar uma nova revoada de conflitos naquela zona. Alguns países árabes, amigos dos americanos (em torno do deus petróleo), já aprovaram a iniciativa mas outros, também árabes,  já manifestaram a sua oposição. Para não falar na União Europeia e nos países que não se revêem nas amizades de Trump e seus apoaintes. Instituições e peritos internacionais já se pronunciaram quanto à impossibilidade de concretizar o bizarro plano apresentado. A Palestina anda, naturalmente, surpreendida e inconformada. As artes da diplomacia são, realmente, muito delicadas e exigem muito trabalho e paciência mas, por todo o mundo já se têm visto resultados apreciáveis para esse caminho. Mas o mundo de hoje anda mais desgovernado e os caminhos do diálogo político são, infelizmente, diferentes. O que dá grande abertura ao uso das armas e aos grandes negócios de venda das ditas.

Isto de desprezar a História e lê-la, apenas, nos resumos à venda nas “barateiras” do mundo, não leva, normalmente,  a boas soluções. Aguardemos o que este cerco medieval vai originar.

 

 

 

Um pensamento sobre “O CERCO MEDIEVAL

  1. Muito interessante, este assunto, tão esquecido, no meio de tantas outras preocupações. Um tecido, altamente gasto e cosipado, ainda resistente por alguns filamentos, sujeitos às fricções dos interesses internacionais. Um deserto, berço de tantas civilizações, onde as areias tentam esconder as verdades sob as suas tempestades..!

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