CASOS DA ECOLOGIA

O mundo anda assoberbado com os problemas da sua Natureza. Há anos que andamos atulhados em milhões de espécies de resíduos ,  que sabemos ou vemos desaparecer áreas colossais de florestas, assistimos a derrames monumentais de óleos, petróleos ou naftas que atingem territórios indefesos e eliminam  animais das mais variadas espécies, o CO2 que anda pelo ar e ameaça liquidar-nos, o infindável amianto que persegue as crianças de todo o mundo e que, por mais que se faça, não se consegue eliminar. Isto, claro, para não falar nos fenómenos naturais, como os terramotos ou o crepitar dos vulcões , que nos deixam sem respiração ao vê-los e debaixo das mesas  aqueles que os sofrem. São as “Centúrias” ou “Profecias de Nostradamus” feitas realidade. É o caos, é o fim, há quem o anuncie. E, ainda por cima, a culpa é nossa, é minha, é vossa. Que andámos aqui a fazer todos estes anos sem pensar nos que nos seguem? Tremo ao pensar nas palhinhas de plástico que utilizei para beber a laranjada, os copos de plástico que passaram a dar-me para beber líquidos inomináveis, cheios de açúcar e de colorantes, os sacos de plástico que utilizei ao longo da vida e que, desgraçadamente, deitei fora, sem cuidado, por não ter sítios decentes onde os depositar. Enfim, seremos sempre condenados por estas patifarias ambientais que fizemos ao longo da vida. Dantes, além do Paraíso e do Inferno, havia o Limbo que era uma coisa, tipo frigorífico, onde éramos conservados até se apurar das nossas verdadeiras bondade  ou maldade. Mas agora nem isso temos. E, pelo que nos é dito, é para nós mais provável o calor das chamas do que as planuras azuis e temperadas reservadas, apenas, para os eleitos.

Mas já chega de desgraças… às vezes também são pedagógicas e obrigam-nos a pensar. Prefiro hoje falar de coisas boas ou engraçadas com que a Natureza, por vezes, nos consola. Imaginem que no Vietname, mais propriamente nas montanhas Anamitas (entre o Laos, o Vietname e o Cambodja) se redescobriu um exemplar de uma espécie de veado que se julgava extinto desde 1990: o “Trágulo-do-Vietname”, um pequeno veado com o tamanho de um coelho. O seu desaparecimento tinha tido origem, claro, nos excessos de caça (desta estou salvo porque não me meti nisso…), mas a Natureza acaba por nos demonstrar que é mais forte que a ignomínia dos predadores incivilizados (ocidentais incluidos). Esperemos que as entidades responsáveis tomem as medidas necessárias para que a espécie, agora resgatada, não se extinga.

Outro caso interessante vem de Goa. Os sucessivos governos locais dizem que “Não querem tigres em Goa”. Porquê esta declaração que vai, justamente, em sentido contrário ao que se passa em estados vizinhos de Goa? Porque, segundo as autoridades, a permanência da espécie é prejudicial ao turismo, ao investimento imobiliário e, sem o dizerem claramente, à exploração das minas de ferro locais.  E esta declaração foi anunciada em 2013, pelo ministro na altura, Manohar Parrikar (com quem, por mero acaso, e no desempenho de funções institucionais, estive reunido) que tem sido sempre prosseguida, bem contra a determinação e apologia do Primeiro Ministro Narendra Modi ao apresentar o último censo sobre tigres (cerca de 3000 no país e, portanto, cerca de 70% da população mundial) ao declarar “a Índia como um dos maiores e mais seguros “habitats” de tigres no mundo”.  image_24985AE9-9C59-4161-ACB7-6D7BB9E31A65.IMG_1409

É claro que em Goa sempre existiram e existirão tigres que, como sábios felinos, sabem percorrer os trilhos mais seguros para as suas crias. E a população nativa, que gosta deles, sabe onde encontrá-los. Mais outro fenómeno que a Natureza tem sabido preservar apesar das determinações dos homens.

Passemos agora, para terminar, à história do Kush, um panda vermelho que se encontra em cativeiro no zoológico da Ilha de Man. Pela terceira vez, em três meses, este simpático ursinho soube escapar-se do cativeiro e desapareceu na montanha, passando por algumas localidades. O Kush é um dos 3 pandas existentes naquele parque mas é, de certeza, o mais esperto e audacioso. Tem 7 anos de idade e foi recuperado, quando da sua segunda fuga em Outubro passado, num jardim residencial. Após esta fuga  de Fevereiro os zeladores do Parque pedem à população que não o persigam, não o ataquem e que avisem, apenas, o Zoo. Esperemos que o encontrem em breve e que nada lhe aconteça de mal. Pelo menos para se provar que nós, os humanos, nem sempre prejudicamos o ambiente e não gostamos dos milhões que ainda assim não pensam.

Para além de não ser justo que todos sejamos acusados de malfeitorias ambientais é consolador reconhecer que, de quando em vez, a Natureza vem compensar-nos pelos nossos dislates. Claro que faz todo o sentido a enorme chamada de atenção para os fenómenos ambientais que já tão duramente se manifestam e é indispensável que todos os responsáveis do mundo tomem as medidas necessárias à melhoria ambiental. E que sejam postos em prática os avanços tecnológicos já alcançados para que não venha a ser necessária a prática de (como disse, há anos, um alto responsável de um governo português e hoje ainda figura grada dos destinos institucionais) “andar de burro para poupar o combustível do automóvel”.

 

 

 

 

 

 

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