5 DE OUTUBRO – 111 ANOS

Por uma questão meramente pessoal resolvi abordar hoje este tema por sentir, talvez sem grandes razões, que a data se pode transformar, lentamente, numa obscura recordação, como já aconteceu com tantas outras, sem que nos apercebamos todos do significado do dia. Corre-se o risco, como já se sente, de o Feriado que lhe é atribuido ser apenas catalogado como uma agradável possibilidade de “ponte”, para que os cidadãos tenham a possibilidade de gozar uma pequenas férias com os inevitáveis entupimentos das autoestradas.

Acho que o 5 de Outubro de 1910 (há 111 anos) tem um significado crucial na vida do país. Uma mudança radical de regime, de monarquia para república, não é coisa que suceda com frequência, sem razões e sem autores que arriscassem as suas vidas. Tudo isso se passou e não seria dispiciendo que nas escolas este detalhe da História fosse bem salientado. (Não deixa de ter analogias com o 25 de Abril de 1974).

O texto de hoje é curto porque há muitas fontes onde se pode conhecer as ocorrências da época. Acontece, no entanto, que (devido à minha idade) tive oportunidade de conviver familiarmente com um desses militares que liderou o processo revolucionário. À data era o 2º tenente da Armada, José Mendes Cabeçadas, que assumiu o comando do “Adamastor” e, cumprindo o que estava programado, disparou, à hora prevista, o primeiro tiro de bordo para o Palácio das Necessidades. O golpe revolucionário resultou, como se sabe, a despeito de haver algumas vítimas (como por exemplo o Almirante Carlos Cândido dos Reis que, julgando a operação perdida, acabou por se suicidar). Tem hoje, como homenagem, a Av. Almirante Reis.

O Tenente Cabeçadas chegou a Almirante e a Presidente da República. Fardou-se pela última vez, já em idade muito avançada, num casamento em que foi Padrinho da noiva (a minha Mulher…) . Percebe-se, portanto, a minha admiração de como foi feito o 5 de Outubro.

Este pequeno texto fica, neste blogue, para “memória futura”.

Um pensamento sobre “5 DE OUTUBRO – 111 ANOS

  1. Muito bem! Não devemos esquecer nunca os momentos históricos que possibilitaram sermos Nação que somos. Ainda nos lembramos oficialmente de Aljubarrota e de 1640, mas duas outras datas, também muito importantes, andam um pouco esquecidas : 1143 (tratado de Zamora) , e 1834 ( fim do Absolutismo)

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