Caminhadas

Vale do Mondego

Fazer uma caminhada pelas matas da Serra do Caldeirão, era assunto que jamais passaria pela minha cabeça. No entanto, a paisagem que já conhecia de passagem e o entusiasmo de amigos já habituados a esse tipo de aventura, fez recuar parte do meu negativismo. O grupo estava formado, com hora e ponto de encontro, para o início de uma incursão, por sítios onde só a Natureza é vislumbrada. Era o Vale do Mondego na sua plenitude, onde este rio dá os seus primeiros passos, recebendo água cristalina de várias nascentes de montanha. Ainda silencioso, começava a mostrar-nos a beleza da sua paisagem outonal, em tons de castanho dourado, convidando a um passeio cheio de emoção, cujo ar fresco de aromas suaves, nos iam enchendo o peito, a cada passo.
De tempos a tempos, algumas paragens obrigatórias para ouvirmos as explicações dos dois jovens engenheiros do ambiente, Sofia Pinto e Fernando Romão, amigos e organizadores destes circuitos, sobre a flora que nos ia acolhendo à nossa passagem. Plantas, que normalmente nos passariam despercebidas e que a Serra escondia sob o seu arvoredo. Pequenos cursos de água, atravessavam o nosso caminho, anunciando-se num murmúrio quase inaudível, em direcção ao rio Mondego já a alargar-se entre rochas. Aqui ou ali, uma planta considerada perigosa, incluindo a cicuta, fazia-nos recuar por precaução. Ninguém fazia ideia de que isso pudesse existir na nossa flora, tão escondida entre uma paisagem de sonho.
Aos caminhos pedregosos, numa mistura de xisto e granito, também centenas de castanhas rolavam sob os nossos pés, num excesso de oferta, que poucos se preocupavam em apanhar. Os Castanheiros, começavam a alijar-se da sua carga, ao mesmo tempo que as suas folhas iam mudando do verde para o castanho dourado, tão característico da época, ao mesmo tempo que as Faias e os Carvalhos, ainda se despediam de um Verão longo e seco.
A Caminhada, ia terminar ao fim de cinco quilómetros de boa disposição, ainda que as pernas já anunciassem um certo cansaço. Ainda, um ou outro passadiço em fase de construção, facilitando o acesso a sítios mais difíceis de chegar, talvez mais encorajadores a uma outra caminhada, mostrando o que a floresta serrana ainda nos tem para oferecer. Aquele ar bem oxigenado, tão difícil de encontrar nos nossos dias, ficará de reserva nas minhas memórias…!

Fotografias cedidas por Fernando Romão, também responsável da equipa técnica da Colecção Foge comigo – Guia de Destinos.

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