A Música e os Sonhos…!

Nos últimos tempos, tenho-me atarefado a remexer o fundo dos baús, procurando elementos que satisfaçam a minha curiosidade sobre recordações há muito esquecidas. Talvez, a prova de que não estou a imaginar ter existido, e que inexoravelmente, se vai apagando dos nossos pensamentos do quotidiano. Assuntos, há muito arredados da memória e que de vez em quando nos beliscam, levando-nos a largas recordações daqueles outros tempos em que tudo, ilusoriamente, nos parecia ser fácil e novo.
São velhos, os tempos em que nos juntávamos em redor de um JukeBox, normalmente encostado a um canto da sala de um Café de Bairro, deliciando-nos com aquele som volumoso saído dos discos escolhidos, em troca de umas poucas moedas. Eram os primórdios de uma nova época, onde o automatismo nos deslumbrava.
Conforme os discos dos nossos ídolos musicais iam descendo sobre o prato do gira discos, as moedas também começavam a rarear nas nossas algibeiras, sempre insuficientes para tanto entusiasmo…!
Harry James e o seu reluzente trompete, enchia-nos os ouvidos com o ritmo endiabrado e imparável do Swing, deixando-nos arrasados. Seguiam-se outros sons maravilhosos, como Benny Goodman e a sua forma estonteante de tocar Clarinete, tocando Sing Sing Sing, ou alternadamente Let´s Dance, sempre acompanhado do explosivo baterista Gene Krupa, como se estivéssemos na primeira fila do famigerado Carnegie Hall de New York City, onde tão fora da suas tradições, lhes foi dado a oportunidade de tocar.
Mas ficaria apenas por aqui, se imperdoavelmente me esquecesse da fabulosa Orquestra de Tommy Dorsey e do fabuloso Glenn Miler, que ainda há pouco tempo tive o gosto de assistir, a uma cópia do original, no Teatro Tivoli de Lisboa, e ainda uma segunda vez no TMG, Teatro Municipal da cidade da Guarda, onde passo largos dias.
Belíssimos interpretes de uma música moderna, que tanto embelezaram, um pouco, a vida de uma Europa e o Mundo inteiro, ainda sob a influência daqueles cinzentos dias da 2ª Guerra Mundial. E muitas ficaram para a eternidade, cujo romantismo nunca poderá passar despercebido. Uma outra, que desconheço o autor, mas conheci bem a voz suave de Vera Lynn que a fez voar com a RAF, sobre as águas turbulentas do Mar do Norte, fazendo justiça ao amor e o romantismo nos tempos difíceis da guerra : “The White Cliffs of Dover.”..!

There`ll be bluebirds over
The White Cliffs of Dover
Tomorrow, just you wait and see
There´ll be love and laughter
And peace ever after
Tomorrow when the world is free…!

Um pensamento sobre “A Música e os Sonhos…!

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