O que ando a ler…! 3

Domingo de chuva…! Um dia cinzento como muitos outros dias, que nos tolhe os movimentos e o prazer de dar um giro pela cidade, espiando montras, ainda que sem interesse de grandes compras. Apenas, o passar do tempo sem saber de notícias tristes que nos envolvem emocionalmente.
A leitura de um livro oferecido que me leva o pensamento até terras de África que conheci. E a gentílica forma de expressar, que Mia Couto nos invade. Compêndio Para Desenterrar Nuvens, depois de Terra Sonâmbula, de que ainda vou lembrando alguns sons já longínquos.
Há poucos dias, recebi de uma grande amiga e marido, umas das melhores prendas que alguma vez tenha imaginado…! A simplicidade de um poema que me foi dedicado, que pela sua natureza me encheu de emoção. Tudo a condizer com o carinho e respeito que envolve o nosso relacionamento de amizade. No ambiente de conforto de um grande hotel da Guarda, esperava-me um jantar de anos, que por acaso eram os meus, oferecido pelo meu filho Miguel e a minha nora Antonieta. A gentileza da companhia de um casal amigo que já tantas vezes se juntou a nós noutras ocasiões, reforçou o selectivo ambiente que há muito era desejado. A poesia, sempre um dos temas das nossas conversas, sublimando o que todos os dias se acumula nos nossos ouvidos, flui nas veias de Maria Afonso, cujas palavras bem colocadas, este Blog também já conheceu há algum tempo.
Seria imperdoável da minha parte, guardar ciosamente em qualquer gaveta, um dia esquecido, o texto poético que me ofereceu, durante o convívio. Estou certo que não me levará a mal, nem se zangará comigo, de o colocar aqui, dando-lhe um pouco mais de espaço para o vôo que merece.
Para o Rui no seu dia a dia,
Como se regressasse de uma viagem e trouxesse um império. De tempos em tempos olha as mãos que seguram trapézios de veleiros. Nos dedos há vestígios de nós e cordas. Linguajaress de terras antigas com o olhar no vagar do dia. Palavras inaudíveis como se o tempo se aclarasse e no deserto crescesse um céu nocturno que fosse alimento.
Há sempre uma tenda dentro de nós onde repousar as mãos e alinhar os cabelos. Às vezes uma cascata. E a pele a renascer. A dizer veludo. Outros ventos virão. A cada dia um vento novo. O horizonte em claridade e o nosso reflexo no rio.
Que fizemos do passado senão um livro inacabado ou uma casa a pedir luz ?
Ocultamos a imperfeição das asas que sempre nos habitaram.
Desconhecemos o anjo que vive em nós.
Temos tão só o sabor matinal de um rosto verde. E toda a delicadeza dos gestos escrita na eternidad
e.

Continua a chover ! Uma névoa encobre o horizonte deste Domingo a anunciar um Inverno que ainda se mantém longe, deixando escapar os seus ventos frios por entre os vales da Serra, a desafiar o calor da lareira…!

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