O ESTRANHO CASO DAS GÉMEAS

Este título podia muito bem ser o de um romance policial do nosso bem conhecido Erle Stanley Gardener, com um caso a ser resolvido pelo sagaz e imortal Perry Mason. Mas não é. Trata-se apenas de um efémero e sinuoso acontecimento que, embora sem nos perturbar a vida, nos tem proporcionado infindáveis horas de noticiário televisivo.

Pelo que se conta, parece que umas inocentes irmãs gémeas de tenra idade terão dado origem a pujantes diatribes entre comentadores “super-encartados”, chegando a envolver altas figuras das nossas massacradas esferas políticas. Duas crianças gémeas com uma doença aparentemente incurável, de origem brasileira mas com nacionalidade portuguesa recentemente adquirida, conseguiram ser tratadas em Portugal, em 2019, mediante as diligências dos pais e, segundo se diz, com “apadrinhamento” poderoso (parece que a família era amiga da mulher de um tal Nuno que também vive em S. Paulo, no Brasil). Para qualquer de nós , o primeiro desejo é que as crianças encontrem os benefícios ansiados pelos pais e por elas, no futuro.

Mas afastemo-nos deste caso e deixemo-lo seguir as suas peripécias.

Eu, que nem sequer tive irmãos, sempre fiquei encantado com crianças pequenas (já as tenho na família) e sempre me despertou interesse conhecer irmãos gémeos, como será o desenrolar das suas vidas. (Tive dois pares de irmãos gémeos no Liceu que fizeram todos as suas vidas normalmente. ) Fui investigar na internet, claro, e encontrei um caso de gémeas que pôs em alvoroço o Reino Unido na década de 60 do século passado. Eram gémeas idênticas, filhas de pais imigrantes vindos de Barbados, June e Jennifer Gibbons que passaram a infância no País de Gales. Chamaram-lhes “as gémeas silenciosas” porque só falavam crioulo e só se entendiam entre elas. As suas vidas foram atribuladas e de tal forma insólitas que uma jornalista do The Sun, Marjorie Wallace, depois de acompanhar os estranhíssimos detalhes das vidas das gémeas, resolveu escrever um livro , “As gémeas silenciosas”, que vai ser adaptado ao cinema pela realizadora Agnieszka Smoczynska.

O nosso caso doméstico pelo qual comecei e este, mais tenebroso, das “Gémeas Silenciosas”, levou-me a procurar um pouco por gémeos que , por este mundo fora, possam ser felizes. Fiquei surpreendido e aprendi imenso. No estrangeiro encontrei diversos: a modelo brasileira Patrícia Bundchen tem uma irmã gémea , Gisele, e são felizes. A atriz sueca Scarlett Johansson tem também uma irmã gémea, Hunter, e parece que se dão bem. Encontrei muitos casos famosos no estrangeiro mas o que mais me despertou a atenção foram os gémeos famosos que temos em Portugal. O cantor Diogo Piçarra é gémeo de André Piçarra; as deputadas Joana e Mariana Mortágua são gémeas; as atrizes Joana e Inês Aguiar também são gémeas; o ator João Baião tem uma irmã gémea, Maria do Rosário e as atrizes Anabela e Margarida Moreira também são gémeas. E podíamos ir por aí fora.

Mas regressemos ao princípio. Parece que o caso das inocentíssimas gémeas luso-brasileiras que foram tratadas em Portugal ainda se irá arrastar por muito tempo. Há gente grada envolvida no caso (aparentemente) e isso é um petisco para noticiários, comentadores e, sabe-se lá, também o para a nossa já famosa Procuradoria Geral da República que não gosta de ficar calada. Às vezes produzindo intrigantes generalidades, o que já levou um famoso causídico a dizer na televisão, quando interrogado sobre a clareza de uma declaração daquela Instituição, que “seria o mesmo que ir à padaria e perguntar ao padeiro: o pão é de hoje? Resposta do padeiro: Ó Sr. Doutor, por quem me toma?” (Fim de citação) .

Esperemos que tudo passe depressa porque o país tem mais que fazer. Por tudo o que está à vista. E que as gémeas cresçam felizes.

2 pensamentos sobre “O ESTRANHO CASO DAS GÉMEAS

  1. Trata-se realmente da saúde de duas crianças mas o problema é que foram “feitas” portuguesas à pressa, vindo de um país tão rico e de família de empresário milionário, tenham que meter “cunha” para usufruir gratuitamente do nosso SNS
    para receberem um medicamento que custou €2.000.000 cada, mais €65.000, de cadeiras especiais. O governo do Sr. Lula da Silva não pode tratar do seu povo? Somos nós um país pobre (mas onde residem 250.000 brasileiros) que temos que financiar esse povo. Estão sempre a reemvidicar e a dizer mal de tudo. Espero que se resolva rápido e haja quem devolva esse dinheiro que tanta falta faz aos nossos doentes que esperam anos por uma cirurgia.

    Liked by 1 person

  2. Somos um país sensível a estes problemas, principalmente quando se trata de crianças. E não são poucos os casos de doenças ou de maltratos, que quase diariamente surgem nos escaparates da comunicação social. De abusos e de abandonos, que uma sociedade verdadeiramente sã, não pode deixar mergulhada na escuridão. O que é também penoso, é a persistente imensidão de notícias sobre determinados casos, elevando o grau de suspeitas sobre alguém, enquanto outras bastante mais graves, recolhem aos tinteiros de onde saíram as letras de imprensa…! E a tal cunha que desemperra a pesada burocracia, se é disso que se trata, é uma instituição bem portuguesa a todos os níveis, porque somos um povo assim. Umas vezes tolerante, outras vezes acusador, mas sempre sensível ao sofrimento dos outros…!

    Gostar

Deixe um comentário