RECORDAÇÕES DE 2023

É costume , no final de cada ano, fazer-se o balanço das melhores coisas que aconteceram nesse ano. Todos os meios de comunicação social, com os seus milhares de opinadores , dissertam sobre os grandes acontecimentos culturais, científicos, desportivos, artísticos e elegem as figuras que se destacaram nesses múltiplos domínios. Variam, às vezes, de revista para revista, de noticiário de um canal para o noticiário de outro canal. Tudo mais ou menos programado para terminar no último dia do ano para que, a seguir, nos deslumbrem com os fogos de artifício de praticamente todas as cidades do mundo endinheirado.

Pois é, tudo isso traz um certo consolo às pessoas e fá-las, por algum tempo, não pensarem no que de menos bom ou muito mau aconteceu durante o ano.

A despeito dos noticiários, principalmente os televisivos, nos torturarem com episódios nacionais sempre preocupantes que, de uma forma geral, vão sendo sucessivamente mitigados, não se dá relevo ao que internacional ou nacionalmente tem verdadeiramente importância, sem necessidade de vermos os estagiários a locutores a repetirem , cautelosamente, o que já nos foi dito ou transmitido em abundância. No fim, tudo passou com ligeireza e sem o sobressalto que esses factos, na realidade, nos poderiam causar.

As notícias de ataques em escolas com as mortes de dezenas de alunos e professores; o fenómeno imenso das migrações mundiais; os resgates de mineiros de minas de carvão que há meses não viam a luz do dia; os defensores das causas ecológicas que se manifestam, sem regra nem sentimento, grafitando, manchando, quase destruindo obras de arte algumas quase únicas; os incêndios aterradores ou desastres naturais que todos os dias flagelam populações desprevenidas; guerras monstruosas desencadeadas por ditadores sem escrúpulos sobre países ou regiões vizinhas que se comprazem em matar, assassinar é mais correto, milhares de pessoas inocentes, a despeito dos clamores de pedidos de paz oriundos de instituições internacionais ou de Igrejas de credos diversos; enfim, um desfilar sem fim de acontecimentos que nos fazem refletir sobre a evolução da humanidade, sobre os sofisticados e terríveis avanços das tecnologias que nos levam a pensar como será o futuro deste planeta em que vivemos e que, na eternidade mais próxima, será o único de que dispomos.

Na realidade talvez não seja a altura de enunciar todas estas barbaridades e , otimisticamente, esperar que a humanidade acorde deste torpor suicida e descubra cada vez mais processos e caminhos de salvação e libertação que os há, e muitos, mas que nos escapam no meio da barafunda internacional.

Uma coisa é certa, os que escrevem, nesta altura, textos como este e todos que ainda os lêem podem dar-se por felizes por se terem salvo e estarem ainda vivos. Vamos esperar que continuemos a escrever e a ler, ao abrigo dos flagelos que nos cercam, e possamos esperar por um Bom Ano de 2024. Para o Mundo em geral.

Até que chegue a hora natural de nos despedirmos. Outros, muitos outros, virão fazer mais e melhor do que nós fizemos no nosso tempo.

Viva 2024!

2 pensamentos sobre “RECORDAÇÕES DE 2023

  1. Um assunto que nos preocupa, e vamos continuar a desejar que se esgote, no bom sentido. Como seria bom, podermos virar a página dos acontecimentos do ano, com a mesma displicência que se aplica a uma revista que deixou de interessar, atirando-a seguidamente para o cesto de papéis velhos…!

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