Bem recentemente uma jovem britânica de 25 anos comeu um delicioso biscoito cuja massa continha amendoins. Morreu pouco depois. Ela e a família conheciam essa alergia mas ninguém se apercebeu do que estava oculto na delicadeza do biscoito “ Florentino de baunilha”.
Esta infeliz notícia trouxe-me à colação diversos casos que me são familiares e sobre os quais resolvi deixar um “aviso à navegação”. Um dos casos mais importantes e vulgar é a alergia à proteína do ovo cru. Muita gente (na qual me incluo) não pode comer ovos crus. Só ovos muito bem cozinhados. Mas o mais grave deste caso da proteína tem a ver com a vacina contra a gripe. Esta vacina é elaborada justamente em proteína de ovo pelo que, quem tomar a vacina, terá um fim igual ao da jovem britânica. Claro que nunca tomei a vacina (diga-se de passagem que não sou nada dado a gripes – será resultado da própria alergia?) mas conheço um caso de uma jovem que, há uns anos, não conhecendo essa sua alergia, faleceu imediatamente a seguir à vacina. Pode ser que os avanços da medicina moderna já estejam a resolver este problema mas até agora os avisos continuam ativos.
Outro caso muito vulgar é o do sésamo. Há uns anos os mais requintados padeiros começaram a embelezar os seus fofos pãezinhos com salpicos de sésamo. Lá fui eu outra vez na conversa… Os sintomas são os mesmos: edema da glote e sufocação. No norte da Europa, onde o azeite se tornou um produto caro, rapidamente foi substituído por óleo de sésamo, muito apelativo e usado por famosos “gourmets”. O problema é que para os alérgicos ao sésamo o substituto do azeite passou a ser um tempero mortal. Acho que os esbirros de Putin já conhecem estes truques todos mas precavenham-se e andem sempre com um anti-alérgico no bolso. Uma neta minha, enfermeira, só me cumprimenta depois de eu lhe mostrar o comprimidinho.
Este texto não passa de uma chamada de atenção para os mais desprevenidos até porque as alergias são muitas: ao marisco, aos pós e a tantas outras coisas bizarras. Há certas alergias de relação humana que, em minha opinião, é uma pena que existam mas pouco se pode fazer nessa área.
Estas alergias alimentares com que resolvi iniciar este texto pretende apelar aos nossos sentimentos para evitarmos alergias de humanidade, solidariedade, recusa de ver no próximo alguém igual a nós. Essa é a pior das alergias. Teremos, claro, que nos defender de quem tenha qualquer espécie de alergia contra nós mas isso faz parte da vida. Em vez do tal comprimido será melhor atravessar o passeio para o outro lado da rua.
Cuidado com as alergias.
Caro Manuel José
Bom aviso ! O problema reside no desconhecimento de que se tem uma determinada alergia ! Como se pode detectar a priori que se é alérgico a determinado produto ? E o comprimido que transportas por precaução tem valor universal ?
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