A CONFRARIA DO ATUM

A Confraria do Atum é uma Associação criada, em 2008, em Vila Real de Santo António, à qual se vão juntando novos membros locais ou de terras vizinhas , os chamados “confrades”, devido às suas ligações a esta espécie piscícola, quer como pescadores, industriais conserveiros ou especialistas nas suas múltiplas confeções.

O atum é uma espécie predominantemente algarvia e desde tempos imemoriais que a sua pesca era motivo de aventuras e representações artísticas. Uma dos espetáculos mais emocionantes e aguerridos na sua pesca era o famoso “copejo do atum”, operação em que as embarcações cercavam enormes cardumes, estendiam as redes e, com a ajuda de enormes grampos metálicos, os puxavam para bordo deixando as águas ensanguentadas, onde os animais ainda não pescados saltavam em acrobacias delirantes. Cenas que foram magistralmente representadas pelo mestre de xilogravura, Manuel Cabanas, velho republicano autodidata nascido VilaNova de Cacela. Já me referi a ele num texto publicado há mais de uma ano mas é oportuno incluir aqui, de novo, esse quadro do copejo.

Xilogravura de Cabanas retratando o copejo

A Confraria publicou, em fevereiro passado, um livro a que chamou “Terra do Atum” onde relata toda a história e influência do atum nas pescas algarvias. Do passado até aos dias de hoje o atum é o símbolo que marca a história e a cultura de Vila Real de Santo António.

Há duas espécies de atum: o “de direito” quando passa pela costa algarvia a caminho do Mediterrâneo, onde vai desovar, e o de revés quando regressa da desova. Claro que o primeiro é o melhor para a pesca e para a gastronomia.

Atum de direito

A pesca do atum foi uma das maiores riquezas do Algarve tendo-se lançado, inclusivamente, armações no mar para captura natural do peixe. Essa iniciativa teve lugar em 1942 com a criação do chamado Arraial Ferreira Neto, na zona de Tavira, cujo edifício foi entretanto adaptado para hotel (Hotel Vila Galé – Albacora).

Sede das armações para captura do atum

A gastronomia do atum é muito rica. Como dizem os especialistas, nada se perde, tudo de aproveita do atum. Chamam-lhe o presunto do mar. O rabinho do atum e o lombo são as partes ricas do atum. Atum cozido à moda da fábrica, caldeirada, estupeta, e os famosos bifes de cebolada são talvez os pratos mais típicos de Vila Real de Santo António.

Aqui fica um desafio para quem ainda não tenha provado estas delícias de um Algarve que, às vezes, desconhece as suas próprias riquezas.

Um pensamento sobre “A CONFRARIA DO ATUM

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