Todos nós nos lembramos dos tempos idos em que andámos em jardins de infância ou nos primeiros anos das escolas primárias. Os intervalos eram a nossa verdadeira felicidade terrena. As corridas, os disparates, os jogos da bola (proibidos nos átrios principais e que, sobejas vezes, partiam vidros), tudo isso fazia parte da nossa felicidade.

Tudo era permitido naquelas idades ou melhor, não era permitido, mas acabava tudo por acontecer.
Ao assistir, espantado, ao espetáculo de ontem na Assembleia da República revivi aqueles tempos atribulados mas deliciosos em que ninguém se entendia por evidente falta de senso e, sobretudo, com medo do “elefante” na sala. O elefante era, claro, o Chega que ameaçava a torto e a direito e ninguém sabia muito bem o que lhe fazer. Foram votações a seguir a votações, praticamente todas derrotadas à partida, sem haver ninguém com calma e bom senso que escolhesse a única solução plausível para escolher o Presidente da Assembleia que, ainda por cima, não exerce funções governativas.
Estas barafundas parlamentares não foram agora inventadas por nós. Há anos que parlamentares de outros países se envolvem ao murro e à bofetada numa clamorosa falta de respeito pela instituição. E vão continuar. Os partidos de extrema direita que pululam pela Europa já encontraram o seu apaniguado português, bem falante, a quem já muitas entidades privadas, fortes e poderosas, lhe garantem o seu sustento político e diletante. O mesmo se passa noutros países como a Itália, Finlândia, Polónia, Hungria, cada uma com o seu estilo próprio mas contribuindo todas para aquilo a que apelidaram de “mudança dos sistemas”. É natural que tenham alguma razão mas talvez o problema maior tenha sido o de não se ter cuidado, em tempo, dos imensos descontentes que existem nas nossas sociedades. Em tempos de protesto as pessoas, muitas vezes de forma menos precavida, acabam por eleger aqueles que lhes parecem poder vir a ser os salvadores das suas ambições. Mas as ideias que esses partidos promovem em altos gritos não são, muitas vezes de forma evidente, compatíveis com as realidades de cada uma dessas sociedades. E antes que o bom senso apareça e os “elefantes” fiquem despidos sozinhos no meio da sala assiste-se em direto, pelas televisões, nos intervalos de espera das repetidas eleições, a inomináveis conversas entre gente que se percebe que não está a dizer nada enquanto outros, sentados na sua bancada, bocejam alarvemente expressando a indiferença por que ali se encontram.
Por isso, tudo aquilo parecia um jardim de infância em que todos se entretinham com gatafunhos escritos nos blocos notas que o povo lhes oferece, esperando que chegasse o “dono da bola” que, como nos intervalos escolares era sempre quem acabava com a zaragata: pegava na bola e ia-se embora. Foi mais ou menos o que se passou ontem. Agora digam lá que o boneco acima não vos lembra de nada!…
Antes de mais, adorei o desenho, que me encheu de boa disposição…! Uma caricatura que se aproxima do ridículo, da estrutura e da falta de senso dos nossos estimados politicos. A inconsistência, ligada à indefinição do que é ser governante, e da ignorância politica dos governados…! Salve-se, o sentido cívico que resta, dos portugueses que continuam a votar pela ordem natural da democracia…!
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De facto, o espectáculo proporcionado pelos sr.s deputados a propósito da eleição do presidente da AR foi lastimável pela noção de desordem e de incapacidade de diálogo democrático que mostrou. Que só beneficiou os que votam anti-sistema. Felizmente no dia seguinte houve um toque de bom senso por parte dos maiores partidos. O episódio também serviu para demonstrar que há partidos em cuja palavra não se pode confiar
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