REGRESSO A BEIRUTE

Escrevi neste blogue, em Outubro de 2023, um texto relacionado com uma viagem que tinha realizado em 1968 por terras do médio oriente, Iraque, Grécia e Líbano. A época permitia ainda fazer viagens de negócios ou de turismo sem grandes preocupações.

Os tempos de hoje deixam-nos avassaladoramente perturbados com tudo o que nos dão a ver naquelas regiões. Para além de assustador é inumano. Por isso regressei à viagem de 1968 e, do texto de 2023, transcrevo a parte relativa ao Líbano .

Um ponto inesquecível da viagem foi Beirute, capital do Líbano, país a quem chamavam “a Suíça do Médio Oriente”. O empresário com quem estava previsto encontrar-me recebeu-me com grande fidalguia e, concluídos os negócios, ofereceu-me um jantar no Casino de Beirute. O casino ficava a cerca de 20/30 quilómetros da cidade (mais ou menos como o nosso casino do Estoril está de Lisboa). Além do jantar, em primeira fila, assistimos a um espetáculo em palco que nunca mais esquecerei. Exibições extraordinárias que culminavam com elefantes, conduzidos por cornacas, que circulavam no palco, de nós só separados por uma vala de água que, entretanto, se tinha aberto. De regresso à cidade disse-me o meu interlocutor e já amigo que, no mês seguinte, iria viver para Paris. Perguntei-lhe porquê. Respondeu muito rápida e firmemente: “Porque tudo isto vai acabar”. Não percebi na altura mas comecei a perceber passado algum tempo e percebo hoje bem, como toda a gente. Falei ainda uma vez com esse meu conhecido, telefonicamente, para Paris e fiquei a saber que estava muito bem. Passados todos estes anos nenhum de nós sabe se o outro ainda está vivo.

Regresso ao dia de hoje e recordo a antecipação do meu conhecido nas suas decisões, por tão bem perceber o vulcão de confrontações sobre o qual já vivia. O que se passa hoje em toda aquela região é inenarrável e extremamente perigoso para a Europa e para o mundo. Não vale a pena dissertar mais sobre esses eventos porque todos os conhecem tão bem ou melhor que eu. Mas isso não me inibe de recordar, com saudade e alguma nostalgia, o país do Cedro simbólico, “a Suíça do Médio Oriente” que nunca mais voltará a existir. Era bom que se entendessem e fossem criadas fronteiras e países bem definidos. Mas quem pode fazer isso? Ninguém.

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