CÁ ESTAMOS NÓS COM A IA

Isto da Inteligência Artificial (IA) é, sem dúvida, um passo gigantesco da humanidade para o conhecimento global e para a expansão do conhecimento.

Não deixa, no entanto, de levantar algumas considerações sobre temas que as novas sociedades terão que vir a resolver. A investigadora da Universidade de Cambridge, Patrícia Akester, desenvolve um conjunto de ideias que nos ajudam a encarar esses futuros problemas.

John F. Kennedy proclamou num dos seus discursos que “A tecnologia é a campainha do progresso, mas a arte é a voz da alma”. E tinha razão . Patrícia Akester preocupa-se com os direitos de autor e encabeça um dos seus artigos com o título “Entre a alma e o algoritmo: o direito de autor na era da inteligência artificial”. Diz ela que, qual espelho, a IA devolve ao mundo produções que assentam na reprodução e adaptação das obras que consumiu, sem respeito pelo direito de autor.

Foi isso que aconteceu em 2022, quando uma imagem intitulada Space Opera Theater, gerada por um sistema de inteligência artificial, conquistou o primeiro lugar num concurso de belas-artes no Colorado. O júri, hipnotizado pela excelência do autor que pensou ter dado vida a essa imagem, coroou, sem o saber, o engenho de um algoritmo.

A IA não tem a alma que capture o que só o coração pode sentir, mas gera imagens, palavras e sons que se confundem com a arte dos mestres.

A Convenção de Berna tutela a obra (literária, artística e científica) como uma fagulha que emana do espírito humano. E a União Europeia declara que o direito de autor apenas pode ser invocado para proteger a obra que é fruto da liberdade criativa do seu autor. A frieza algorítmica pode gerar conteúdos belíssimos mas falta-lhe a tal “voz da alma” de que Kennedy falava.

Yuval Harari alerta-nos também, de forma muito assertiva, no seu livro “NEXUS – História Breve das Redes de Informação”, para todas as formas de comunicar, desde o Homo Sapiens até às formas mais evoluídas de comunicação que hoje o mundo utiliza sem saber, grande parte das vezes, se o que está a ver ou a ler foi feito por homem ou por máquina. São esses os “alçapões” do conhecimento para os quais teremos que estar cada vez mais alertados. A realidade está montada: “de um lado o espírito humano, eterno e indomável; do outro, a máquina, seguindo padrões, algoritmos e parâmetros”.

Somos contra a Inteligência Artificial? Em princípio, não. Mas temos que arranjar ferramentas que nos permitam reconhecer o que é verdadeiro e o que é “fabricado”. A Ciência ocupa-se hoje com todos esses problemas mas a utilidade da IA já é de tal forma envolvente que a única forma de vivermos com justiça e em paz é de a impedir que sejamos, com ela e por ela, autodestrutivos.

O que já se sabe e discute sobre isto é muito. Informemo-nos.

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