HÁ MENOS SEXO EM FRANÇA. E POR CÁ?

A França sempre foi conhecida como um país onde as liberdades sexuais eram praticadas com muita assiduidade e desde as idades jovens. Há alguns anos Paris era bem conhecida pelo seu Moulin Rouge ou pelo Crazy Horse. Isto para não falar nos bares e discotecas menos mundanas onde os encontros românticos se davam com grande facilidade. Ai dos maridos que tivessem que se deslocar a Paris em viagem de negócios. Ninguém acreditava que não houvesse uma elegantíssima “Bardot” que acabasse por desviar os bons comportamentos previstos para o tal negócio. De uma forma geral todos conhecemos amigos que, antes da nossa revolução de 74, se refugiavam, na sua grande maioria, em Paris para escaparem à PIDE. Mas porquê Paris? Porque, por lá, o tremendo desespero do isolamento e da fuga seriam compensados por encontros românticos que mitigavam aquela infelicidade temporária. Conheci alguns que de lá regressaram muito bem acompanhados ou mesmo casados. Depois veio a rotina da idade e as imagens do Moulin Rouge tornaram-se mais difusas.

Mas atenção, parece que já não é assim nos tempos que correm. De acordo com os irrefutáveis estudos do National Institute of Health and Medical Research a idade em que os franceses e as francesas têm as sua primeiras experiências sexuais está aumentar (ao princípio ainda pensei que pelo facto do Instituto ser inglês a coisa fosse feita para demérito dos franceses). Mas parece que não. Em 2010 a idade em que ocorria a primeira experiência sexual era cerca dos 17,3 anos. Em 2023 a média subiu para os 18,2 para as raparigas e 17,7 para os rapazes. O estudo sugere que nem tudo se perdeu para a reputação dos apaixonados franceses. As ligações românticas começaram a ser mais duradouras e estáveis. Estas tendências são apelidadas como “o paradoxo contemporâneo da sexualidade” caracterizado por “uma maior diversidade mas, em simultâneo, uma menor intensidade”. Isto apela a uma maior continuidade nas relações, de acordo com os estudos de 2023, do que eram no passado.

Cenas de antigos filmes franceses

Há estudos que sugerem que a Covid terá tido uma grande influência nesta mudança. Mas, ao mesmo tempo, confirma-se que este facto se verifica também em países como a Dinamarca, a Suécia e a Noruega países que, como sabemos, o “amor livre” ganhou grande fama nas décadas de 60 e 70 do século passado.

Bem, por cá, onde não há estudos fidedignos que suportem estas teses, continua-se a pensar, como nos países latinos do sul (Itália e Espanha) que a coisa vai “andando” e que as infidelidades românticas fazem parte da “natureza das coisas”. Principalmente quando há as redes sociais especializadas em divulgar e propiciar este negócio. E ninguém resistirá à piada de, na atualidade, um homem andar sem meias, nestas condições .

Um homem sem meias

Portanto, como conclui o estudo já atrás citado, tudo isto não passam de tendências que a vida sempre há-de acolher com displicência e um sorriso ao canto dos lábios.

Pena é que as dores do mundo sejam muito mais complexas que estes estudos e comportamentos. Já falámos delas e continuaremos a não as esquecer. Este texto circunscreve-se, apenas, a uma atualidade galante que os Estudiosos resolveram analisar.

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