Com a vénia que lhe é devida não resisti a trazer a este blogue um poema do amigo-autor Nicolau Santos, um dos que se incluem no seu livro “A Feliz Embriaguês de Existir”. De novo com um grande Obrigado, aqui vai ele.
A AMÉRICA NÃO CONSEGUE RESPIRAR
A América não consegue respirar.
A intolerância avança a passos firmes.
A ignorância é uma mancha de óleo
Que alastra sem parar.
A Estátua da Liberdade não consegue respirar.
Os poetas americanos não conseguem respirar.
Os pintores americanos
Não conseguem respirar.
Os escultores americanos
Não conseguem respirar.
O mundo que ama a América não consegue respirar.
Uma negra noite cobre de novo a América.
Uma negra noite mata de novo o sonho
de Martin Luther King.
O sonho em que algum dia os filhos dos negros
viverão numa nação onde não serão julgados
pela cor da sua pele, mas pelo conteúdo do seu carácter .
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Apesar de todos os cantores e cantoras
Apesar de todos os desportistas
Apesar de todos os atores e atrizes
Apesar de todos os escravos
que estão nas raízes
Mais profundas da nação americana
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O sonho maior de um negro hoje nos Estados Unidos
É conseguir respirar
Respirar a liberdade a democracia a igualdade
Sem o joelho de um polícia no pescoço
A asfixiá-lo sadicamente até à morte.
É tudo isto que a América vai de novo viver com o seu novo Presidente. E não só. A América tem de se cuidar. Mas também a Europa e todo o mundo sentirão as consequências de um “valdevinos” no poder, consagrado por uma eleição que os mais hábeis comentadores tentam explicar apenas para entreter os já desconfiados ouvintes.
A Democracia tem um preço elevado, principalmente agora em que as ofertas para a destruirem começam a ser muito abundantes. Vivemos, mais uma vez, no meio disso. E no nosso caso, para quem não saiba ou já se tenha esquecido, reganhámo-la há 50 anos. Foram os cravos, não se esqueçam.