JIMMY CARTER, UM HOMEM DECENTE

Po tudo o que já se tem dito e escrito talvez não valesse a pena vir à pena com referências a Jimmy Carter. Pelas dezenas de texto e imagens que me têm relembrado este Presidente, senti o impulso de deixar aqui um preito de admiração pelo homem que deixou os americanos tristes.

Nasceu em 1924 e faleceu há dias com 100 anos com a saúde já muito afetada. Nasceu numa terra pequena , em Plains (Georgia), com uma população de 550 pessoas. De família pobre alistou-se na Marinha em 1946 que só abandonou em 1953 quando da morte de seu pai. Voltou à sua terra, casado com Rosalyn e 3 filhos: Jack, Chips e Jeff. A filha Amy nasceu 14 anos depois. Assumiu o negócio do pai de produção de amendoim e seus derivados industriais.

Foi chamado a muitas intervenções políticas acabando por se candidatar à Casa Branca, pelos Democratas. Quando da sua campanha ficou célebre a sua frase “Nunca vos mentirei” , depois do descrédito dos políticos junto dos americanos por causa do caso Watergate.

Não terá sido um Presidente de primeira linha mas tornou-se um líder mundial icónico , pela sua inspiração e pelos esforços que desencadeou em prol da Paz.

Quando da Candidatura pelo Partido Democrata

A sua presidência foi muito afetada pela economia, pela invasão soviética do Afeganistão e pelos reféns políticos retirados do Irão. Por tudo isso não foi reeleito e foi substituído por Ronald Reagan.

No entanto, durante o seu mandato, evitou pelo menos 5 guerras e os Acordos de Camp David acabaram por ser considerados os mais bem sucedidos desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Durante o seu mandato não se iniciou uma única guerra.

Fez avançar 4 grandes movimentos do século 20: direitos civis, direitos das mulheres, direitos humanos e ambiente. Foi o Presidente dos Estados Unidos que, depois do seu mandato, mais se dedicou a causas importantes da humanidade.

Negociar com Moscovo foi sempre difícil (e parece que continua a ser) . Depois da invasão do Afeganistão pela União Soviética, Carter desencadeou a fabricação do míssil SALT II, impôs um forte embargo de cereais e boicotou os Jogos Olímpicos de Verão de 1980, em Moscovo.

Nos finais da sua vida dedicou-se a ajudar as gentes da sua terra em trabalhos de construção e renovação urbana.

Nos anos finais da sua vida

Por todo o seu exemplo de vida foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz em 2002.

Em 2006 escreveu um livro : “Palestina: Paz Não Apartheid” que talvez devesse ser agora relembrado.

A cerimónia fúnebre de Estado teve lugar na National Cathedral de Washington, no passado dia 9/1/2025 e à qual assistiu o nosso Presidente da República.

Segue-se em breve a tomada de posse do novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o qual não se espera que venha a receber o Nobel da Paz, por tudo o que tem dito e ameaça fazer. Enfim, o mundo vai vivendo e adaptando-se a estas contradições, esperando-se sempre que cheguem ao poder mulheres ou homens de bom senso. Mas os caminhos são ínvios e esperemos que o mundo tenha tempo para que eles apareçam…

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