SERÁ NOVA ESTA ARQUITETURA?

Os modelos e as escolas de arquitetura têm evoluído muito ao longo dos séculos. Basta passearmos por qualquer cidade para nos apercebermos de diferenças essenciais na rede urbana que vamos atravessando. Lisboa é um bom exemplo dessas modas. Se formos à zona do Areeiro e virmos com atenção os prédios que por lá estão não nos surpreenderemos muito com outros prédios do mesmo estilo que vamos encontrar por outras zonas da cidade. Muitas vezes porque o arquiteto é o mesmo e porque a época dessas construções era comandada por estilos e por escolas de intervenção razoavelmente sedimentadas. A famosa “Art Deco” francesa do século XIX ganhou uma adesão imensa não só na arquitetura como nas artes decorativas . Embora poucos, ainda há exemplos fugidios de “art deco” em Lisboa que, com facilidade, se identificam.

Não sou arquiteto e por isso não posso ser perito nas artes da arquitetura. Mas trabalhei com alguns arquitetos que, anos 70/80 do século passado , foram projetando edifícios pouco generosos em termos artísticos mas muito de acordo com os métodos e as formas de construção dessa época. Ventura Terra, por exemplo, foi um arquiteto que trabalhou por todo o país nos finais do século XIX e início do século xx e deixou obras que fizeram moda até hoje. Só para referenciar alguns desses edifícios, que são bem conhecidos, podemos falar da Capela encomendada pela rainha Maria Pia para o Palácio da Ajuda, o edifício 59 da Rua Alexandre Herculano, que ganhou o prémio Valmor, a Renovação do Palácio de S. Bento que alberga a Assembleia da República, a Maternidade Alfredo da Costa, o Liceu Camões, o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, o Teatro Politeama, o Santuário de Santa Luzia em Viana do Castelo e o edifício do ex-Banco Totta e Açores na rua do Ouro em Lisboa são exemplos de qualidade da marca da arquitetura de uma época que enobrece muitas zonas das nossas cidades.

Recentemente apareceu a chamada “moda bruta” da arquitetura por toda a Europa de que há muitos exemplos como o que se mostra a seguir.

Tipo de arquitetura atual

São edifícios de múltipla utilização, incluindo habitação, que se estão a espalhar de novo por diferentes países.

Não me eximo, no entanto, ao facto de já no ano de 1982 se ter construído um hotel em Lisboa também com acabamento só de betão à vista, o que mereceu, na época, alguns reparos de técnicos da construção. Trata-se do Hotel Novotel Lisboa, situado na Av. José Malhoa, e foi projetado por um arquiteto com quem trabalhei (arq. Monteiro Cabral) para a cadeia francesa ACCOR (proprietária da Novotel, Sofitel e outros).

Hotel Novotel Lisboa

A cadeia francesa ficou feliz com o aspeto inovador do edifício que acabou por ser reconhecido como uma nova expressão da cidade e que teve, na altura, grande número de visitantes. Já foi alvo de algumas agressões no seu aspeto visual mas não deixa de ser uma antecipação virtuosa da moda que agora reaparece com o nome de “arquitetura bruta”. Já cá a temos desde 1982.

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