CENTRO DE RECUPERAÇÃO DE ANIMAIS SELVAGENS

Há coisas que nos passam ao lado, às vezes à distância, e não merecem a atenção que lhes são devidas, levando em conta as louváveis missões a que se dedicam.

É o caso da RIAS – Centro de Recuperação de Animais Selvagens, com sede em Marim (Olhão), em pleno Parque Natural da Ria Formosa. Trata-se de uma equipa de jovens licenciados em ciências da natureza e da medicina animal que desenvolvem a acção meritória de recuperar animais selvagens feridos ou debilitados.

O grupo de cientistas que gere a Associação Aldeia

Para os que se solidarizam com a causa animal não é tarefa fácil assistir ao sofrimento muitas vezes provocado, direta ou indiretamente , pela ação humana – anzóis, lixo marinho, turbinas eólicas, redes, arame farpado, atropelamentos, etc.. Durante os os 15 anos de existência da RIAS já foram salvos cerca de 11.000 animais e que puderam continuar os seus papéis nos ecossistemas em que se incluem. O centro funciona como um hospital de fauna selvagem, tratando animais feridos ou debilitados e libertando-os de volta à natureza.

Após uma primeira triagem, os animais passam para uma sala de exames físicos, onde são feitos diagnósticos e administrados tratamentos. Tratando-se de fauna selvagem o contacto com os animais é evitado o mais possível para os poupar ao stress de um ambiente a que não estão habituados. Gaivotas, andorinhas, andorinhões, pardais, melros, rolas, abutres, grifos, corvos ou ouriços são os animais mais recebidos. Mas há também espécies mais raras, como a gaivota-dominicana (da América do Sul), o papagaio do mar ou a gineta (animal noturno com semelhanças ao gato doméstico).

Corvo marinho de faces brancas
Camaleão
Corujas do mato

Em 2023 deram entrada no RIAS 2529 animais (1960 vivos e 269 mortos). Foi possível devolver à natureza 1064 animais, o que representa uma taxa de libertação de cerca de 25 %.

A RIAS tem muitas ligações às escolas de forma a que as crianças fiquem sensíveis à proteção animal. Os apoios financeiros para esta cruzada são essenciais mas nunca suficientes. As Câmaras de Albufeira, Castro Marim, Faro, Loulé, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira e Vila do Bispo apoiam a atividade, sendo a ANA – Aeroportos de Portugal o principal mecenas. Mas quem quiser apoiar esta iniciativa pode sempre fazê-lo por meio de um donativo (MB Way, transferência ou numerário) ou com a contribuição de materiais relacionados com as necessidades de apoio.

Pensar neste assunto e percebermos que ele existe é talvez o meio de o podermos divulgar e, sobretudo, saber da sua existência. Eu, por mim, não conhecia a existência da RIAS mas achei que transmitir a mensagem pode ser muito útil para muitos que, como eu, não a conheciam. Isto existe e é em Portugal.

Deixe um comentário