Estes dias de frio e chuva, têm-me levado a concentrar a atenção para o que se passa na actualidade, e a tudo o que nos possa ligar ao futuro. Contrates com o passado, que nos deixam pensativos, alimentando receios de novos conflitos, agravados pelo absurdo. Um absurdo, que se assemelha a traição dentro das próprias trincheiras ocidentais, apenas pelos interesses de grupos económicos. Um mundo que, lentamente se globalizava, pelo bem estar dos povos, nem sempre igual, mas que tornava a vida mais humanizada, e construtiva. O que vemos hoje, nos noticiários, transforma-se num pesadelo, que nos persegue nos mais pequenos momentos de repouso, deixando-nos de rastos, com a pergunta sem resposta, do que está sendo possível arquitectar-se e promover novos holocaustos, quando o mundo tem a possibilidade de ser mais humana e fraterna, como jamais foi alcançada ? Memórias curtas, que esquecem o sacrifício de centenas de milhares de jovens, que nos devolveram a liberdade de sermos o que somos hoje…! Um sacrifício, que proporcionou umas boas dezenas de anos de progresso, e de bom entendimento entre a América e a Europa. Um intercâmbio, que trouxe tecnologia e desenvolvimento recíproco. O bem estar e o respeito ! A liberdade de circulação, a amizade e o respeito. Conhecimentos científicos, como nunca tinham sido alcançados, antes ! Fronteiras abertas, que não impediam ninguém de se cumprimentar e dialogar, sem muros reais ou fictícios, respeitando-se…!
Habituámo-nos a viver sob o manto do medo de uma guerra fria, ainda que a paz fosse precária e quase impossível. Um mundo dividido por muros, que fez gastar tanta tinta de imprensa, dividido em duas partes, com sistemas diferentes de política governativa, De hábitos adquiridos, consoante as regras impostas pelas leis de cada parte. De sonhos impossíveis, que se tornavam realizáveis, ou se criavam formas de as tornear, dando alento a pequenas felicidades, até à implosão do Muro de Berlim.
E tanto a Ocidente, como a Oriente, os povos iam reconstruindo o que lhes parecia ser de mais interesse, reerguendo as suas cidades, afastando as cinzas de outras loucuras.
Não sei porque razão, todo este imaginário, me trouxe à memória, um filme que me apaixonou, e foi muito apreciado em princípios dos anos 70, – Les Uns et Les Autres …! Talvez, a situação dramática da guerra e a forma como tudo se alterou, tão longe do quotidiano habitual das pessoas.
Claude Lelouch, num dos seus melhores momentos cinematográficos, ou a recordação de tempos dramáticos e verdadeiramente difíceis, levados ao cinema. E é sobre este tema, que hoje me apresento, embora pretenda fazer a diferença dos tempos…! A vida, como ela se nos apresenta, e a forma como ela se vai desenrolando, procurando um pouco de felicidade, afastando os fantasmas das nossas inquietações !
E o cinema, que fazia parte das nossos programas de fim de semana, distraindo-nos das malfeitorias dos dias menos felizes, levavam-nos às estreias de novos filmes. Filmes, que nos ansiáva de ver, com a garantia de qualidade que certos realizadores nos ofereciam. Claud Lelouch, era, assim, uma espécie de garantia do bom cinema francês, com temas sempre bem escolhidos, e primorosamente realizados. Un Homme et une Femme, seria um outro filme, que iria conseguir as nossas atenções, guardando os bons momentos em que nos dispúnhamos sair de casa, em noites geladas, para uma elegante soirée, com amigo(a)s, e cavaquear um pouco, durante um café no Bar do Foyer dos melhores cinemas de estreia de Lisboa. Era assim no Tivoli, como no Monumental, ou no Império, ou no S. Jorge, de boas memórias…!
Recordações, que colidem com a actual situação das dezenas de filmes de má qualidade e programas que as televisões nos oferecem, sem o estímulo de uma saída nocturna de outros tempos, vendo gente gira, e conversando sobre assuntos diversos, de ocasião…!