Talvez por ingenuidade fomos recentemente surpreendidos com a visita de Georgia Meloni ao Presidente Trump. Sabemos que a Trump não lhe é indiferente receber uma cara bonita mas não foi por isso (suponho) que a visita se realizou. Geórgia Meloni falou, em princípio, da grandeza da Europa e do que os Estados Unidos poderiam esperar de uma reação europeia às sua malfadadas tarifas. Meloni não podia falar em nome da Europa, apesar de ocupar o cargo de Presidente do Partido Conservador e Reformista Europeu. Mas que a visita se deu, deu, como prova a foto a seguir.

Meloni não deixa de ser uma personalidade cativante. Como jornalista política italiana foi a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente do Conselho de Ministros de Itália desde outubro de 2022. Entre muitas outras funções foi Ministra Italiana da Juventude no quarto governo de Berlusconi até 2011. Foi fundadora em 2012 do Partido Fratelli d’Itália , de direita radical de que ainda é Presidente. Este seu partido cresceu muito nas sondagens durante a gestão da pandemia da Covid 19 em Itália, durante o governo de Draghi. O FdI foi o o único partido que lhe fazia oposição. Meloni descreve-se como cristã católica e conservadora de direita e tem como lema “Deus, Pátria e Família” (também tivemos…), opõe-se ao aborto voluntário, à eutanásia, à união civil entre pessoas do mesmo sexo e à paternidade LGBT.

Como escreve Victor Ângelo (Conselheiro em segurança internacional e ex-secretário-geral-adjunto da ONU) e cito:
Nestes tempos de incertezas e de oportunismo a minha mensagem é a de que não se deve ter medo nem ficar calado. A resposta aos ditadores, aos carreiristas manhosos que têm subido na vida graças a sofismas simplistas, que repetem até à exaustão , precisa de ser corajosa e dita alto e bom som. A cumplicidade e o silêncio perante os que mandam na política não é admissível para uma democracia. Uma vez no poder, essa gente, seja de que extrema forem, são uma feras que não aceitam qualquer tipo de oposição. Assim acontece com Trump, com Marine Le Pen, Jean-Luc Mélanchon, Matteo Salvini, Santiago Abascal e outros. Votar por um medíocre (de direita ou esquerda) é trazê-los para o poder e dar força a movimentos extremistas.
No seu conjunto, a Europa, perante Putin, Trump, Orban, Erdogan e outros empenhados no desmantelamento da UE, não parece ter líderes à altura. É neste contexto que surge, inopinadamente, sem mandato específico, a Meloni a falar em nome da Europa.
Ursula van der Leyen parece determinada em mobilizar os cidadãos europeus. Mas não e fácil. Putin e Trump são exemplos do que significa a misogenia. E têm seguidores.
Não nos podemos admirar do protagonismo de Meloni, perante a falta de respostas que a Europa terá que dar a Trump. A Itália não é um pequeno país europeu e, apesar das suas atuais fragilidades económicas, a sua primeiro-ministro (que já moderou a sua posição relativamente à Ucrânia) perdeu a paciência e não perdeu tempo em ir explicar a Trump (segundo os noticiários) que também deve contar com uma MEGA (Make Europe Great Again). Foi a maneira de acordar a van der Leyen!