ANTÓNIO RAMOS ROSA

Embora nascido e criado na cidade de Lisboa mantenho com o Algarve, por razões que todos os meus amigos conhecem, relações de muita proximidade, de ternura pela região, de admiração por muitos dos seus naturais que não são, talvez, tão reconhecidos como deviam.

Alguns conseguem ultrapassar as medianias do conhecimento como é o caso da escritora Lídia Jorge que, por coincidência, para além de Conselheira de Estado desempenhou também o cargo de coordenação das Comemorações do último 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Proferiu, aliás, nessa data, um discurso que muitos consideraram uma peça literária a ser lida e relida no futuro. Para além disso, Lídia Jorge tem já um enorme acervo de obras e prémios nacionais e internacionais que a distinguem como uma das maiores escritoras e intelectuais portuguesas.

Mas regressemos ao título a que hoje me propus. António Ramos Rosa foi também um notável poeta algarvio, nascido em Faro em 1924 e falecido em 2013. Independentemente das obras a que deu corpo distinguiu-se pelas suas muitas intervenções em periódicos algarvios. Criou e escreveu no jornal “Voz de Loulé” e participava, com frequência , com artigos no Jornal do Algarve, único periódico que ainda hoje resiste, com enormes riscos financeiros, à destruição da imprensa escrita naquela região. Sou assinante e seu leitor atento de todas as semanas. Desde há muitos anos, quando Ramos Rosa ainda ali escrevia artigos de sabor imperdível.

Ramos Rosa não se licenciou mas a sua cultura granjeou-lhe o apreço da comunidade intelectual portuguesa e acabou por ser Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago e Espada e agraciado com a Grã- Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. O seu nome foi dado à Biblioteca Municipal de Faro e tem uma estátua na sua terra natal.

António Ramos Rosa

Não terminaria bem este texto sem respigar um pequena peça sua:

O silêncio não existe porque é o constante rumor de uma inexistência. O que se ouve, para além do movimento da cidade, é o monótono murmúrio do nada. Apenas sombra de nada, quem nele procura um apelo ou uma resposta não os encontra ou encontra um sinal negativo. Nada diz esse murmúrio nulo, que é o eco inalterável do vazio do mundo, mas quem o ouve sente a radicalidade da sua negação como se a cada momento nos dissesse: Não há.

Aqui fica um apontamento sobre um escritor relativamente pouco conhecido.

Um pensamento sobre “ANTÓNIO RAMOS ROSA

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