No próximo mês de setembro, como informa o Diário de Notícias, entre os dias 6 e 15, terá lugar a 3ª edição do Festival de Ópera de Óbidos. A diretora artística do Festival é a nossa soprano-lírica Carla Caramujo que já entrevistámos neste blogue. Carla Caramujo diz que este ano a edição é dedicada à temática da mulher e àquilo que a mulher conquistou. “Conquistas do século XX e até aos dias de hoje”. Escolheu, para o efeito, a ópera de Bizet sobre Vasco da Gama esperando, para o efeito , a conquista de novos públicos mas talvez a internacionalização do Festival.

Carla Caramujo é já nossa conhecida e tivemos a oportunidade de a entrevistar, há uns anos, para o nosso blogue “Velhos São Os Trapos”, como poderão ver acima.
Além disso o evento integrou a Organização de Ópera Latino-Americana há muito pouco tempo.
São escassas as oportunidades de se apreciar ópera em Portugal. A Gulbenkian apresenta os seus concertos anuais do Met de Nova York e as casas esgotam. Há, no entanto, uma “geração grisalha” predominante nesses espetáculos. A juventude (excluindo a já especializada) ainda não acolheu a ópera como uma manifestação artística de enorme valor. E, nessa perspetiva, o trabalho personalizado dos artistas em cada país é fundamental para a expansão do gosto por aquela arte. Por isso devemos louvar o trabalho dos poucos artistas operáticos portugueses que, no entanto, vão conseguindo participar em espetáculos em muitos países do mundo. Carla Caramujo tem-se distinguido nesse domínio e, por isso e pela sua grande qualidade como cantora, devemos acarinhá-la, e a todos os que, entre nós, se têm batido pela evolução desta arte. Trazer a Portugal uma ópera de Bizet sobre Vasco da Gama é uma aventura que só pode merecer o apoio dos portugueses, seguindo o exemplo do Presidente da Câmara de Óbidos que soube arriscar num tema que só poderá ser favorável à sua terra e ao espetáculo proposto.
Não esquecer: Bizet e Vasco da Gama.