Recorro, uma vez mais, à obra de Nuno Júdice, para reproduzir uma história antiga mas com sabor bem picante. É assim:
Caudulo, rei da Lídia, queria que o servo
Giges contemplasse a beleza da mulher para que,
também ele, soubesse que era mais
bela do que a mais bela das divindades. E
uma noite, quando ela se despia no quarto,Giges
ficou a olhá-la pela porta entreaberta, enquanto
Caudulo distraia a mulher; mas não ao ponto
de evitar que ela visse aquele olhar que a despia
mais do que ela própria se despira. Então, sentiu-se
ofendida na sua honra, mais do que no seu pudor; e,
na ausência de Caudulo, chamou o servo
e deu-lhe a seguinte opção: ou ele matava o rei
e tomava posse dela e do reino, ou iria perder
a vida se não o fizesse. Foi assim que Giges ,
à noite, entrou no quarto pela mão da rainha,
Quando Candulo já dormia, e com o punhal que
ela lhe deu matou o rei. Subindo ao trono, sempre
teve o cuidado de evitar que a rainha, ao despir-se,
desse pelos servos que ele chamava para apreciarem
a sua beleza nua, e é de crer que o seu reinado foi longo.
O que já se fazia naqueles tempos…