OS ARTISTAS DO ANO (2025)

Nos finais de todos os anos diversas instituições, nacionais e internacionais, elegem as pessoas que, nas suas opiniões, mais se terão destacado nesses anos. 2025 não escapa à história.

Começando pela revista TIME, talvez a mais lida internacionalmente, decidiu escolher, como figuras do ano , a equipa que se ocupa presentemente com o desenvolvimento dos labirintos da IA – Inteligência Artificial.

Inteligência Artificial

A razão evocada para a atribuição do prémio foi o facto de terem considerado a equipa como os arquitetos que reconduzem a economia, remodelam a geo-política e mudam a forma como passamos a interagir com o mundo. Tudo razões incontroversas e que merecem a atenção de todos nós.

Noutro âmbito diferente (o da arte, propriamente dita) a Fundação Britânica Turner para as Artes atribui, anualmente, o mais prestigiado prémio a autores britânicos ou que vivam na GrãBretanha. Este ano o prémio foi atribuído a Nnena Kalu, uma artista nascida em Glasgow em 1966, filha de pais nigerianos que se radicaram, muito novos, a sul de Londres. Kalu tem a particularidade de ter deficiências de comunicação, situando-se numa linha de separação entre uma deficiência neuro-típica e o autismo. Os seus trabalhos artísticos resultam da progressiva mistura e envolvimento de materiais diversos e coloridos que vão desde fitas adesivas, fios elétricos , tecidos e outros materiais que, indiscriminadamente vai selecionando. O pavilhão com os seus trabalhos tem sido dos mais visitados. O facto do encanto visual das suas obras estar ligado também às suas deficiências intelectuais levou a que o júri se decidisse pala sua obra, em detrimento de outros autores que também se distinguiram e foram nomeados.

A exposição de Nnena Kalu

Também foi considerado o trabalho do artista Mohammed Sami que começou a sua carreira pintando os retratos oficiais de Saddam Hussein em Bagdad. Apresentou a concurso um quadro enorme a que chamou “O Regresso do Caçador” que representa um acto de guerra com raios laser contra uma nuvem alaranjada de uma tempestade. Uma artista coreana, nascida em Vancouver, Zadie Xa, também apresentou figuras de folclore coreano misturadas com músicos e delfins aquáticos. A imaginação não pára mas o prémio foi direitinho a Kalu.

Pela singularidade dos materiais usados nos seus trabalhos não pude deixar de relacionar a sua obra com outra, de uma artista colombiana, descrita num livro que acabei de ler com o nome de “Os Nomes de Feliza”. Feliza era filha de um casal judeu expatriado na Colômbia e morreu nova, com 48 anos, em 1982. Os materiais utilizados por ela eram peças metálicas velhas, indiscriminadas, muitas delas retiradas de sucatas, de enormes proporções e que ela soldava à sua vontade, de acordo com o seu pensamento que ela, geralmente, não explicava. Foi amiga de Gabriel Garcia Marques e, portanto, uma opositora convicta do regime ditatorial nascido naquela época na Colômbia. Segundo o seu biógrafo, Juan Gabriel Vasquez, a escultura mais polémica que ela concebeu para uma avenida de Bogotá é uma amontoados de chapas soldadas e retorcidas perante a qual as pessoas param para a entender. Segundo ela é uma homenagem a Gandhi. Mas será?

Talvez valha a pena ler-se o livro “Os Nomes de Felicia”.

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