Há bastantes anos as caixas de correio das nossas casas estavam cheias de correspondência diversa. Eram cartas de amigos, jornais e revistas de assinatura, cartas ou postais de familiares a perguntar como estávamos e a dizer como eles estavam. Os dramas e as alegrias da vida, muitas delas passavam pela caixas de correio. Também sou, claro, desse tempo e lembro-me da satisfação de se receber o Século ou o Diário de Notícias ou, para os mais novos, o Tim-Tim ou o Cavaleiro Andante.
Os jovens de hoje não sabem bem o que era isso. Atualmente, eles como nós, lidamos com as comunicações digitais e a maior parte das vezes a nossa caixa de correio está vazia. Semanalmente lá chega a revista que alguns de nós ainda assina ou o jornal regional que persiste em se manter e que alguns ainda assinam para, diga-se de verdade, o tentar ajudar nas agonias permanentes que a falta de leitores e assinantes lhes acarreta. Deixou de se ler o jornal ou revista em papel. A digitalização traz-nos tudo isso com um simples clicar do teclado.
O drama maior é que, na realidade, lê-se pouco , principalmente em papel. Houve atualmente, segundo as informações genéricas que se vai recolhendo, um certo incremento na venda de livros, o que será um excelente sinal para a cultura tradicional. Claro que já se pode ler livros nos “tablets” ou computadores mas não é uma prática muito extensiva. O livro em papel, com mais ou menos folhas, ainda é do agrado da maior parte dos leitores. Mas não tenhamos dúvidas: os jovens recorrem com muito mais facilidade ao que vem escrito nos telemóveis sem avaliar, a maior parte das vezes se o que lêem é verdadeiro ou falso.
Enfim, se refletirmos bem, há sempre uma correspondência em papel que nos chega impreterivelmente em certas datas: os avisos da AT, os famosos e dolorosos avisos fiscais. Esses sabem sempre onde nos encontramos.