OS JOGOS DA COMMONWEALTH E OS JOGOS DA LUSOFONIA

Há cerca de um ano que os Jogos da Commonwealth estão a ser preparados em Birmingham. Será mais uma edição de jogos desportivos que pretende reunir jovens e consagrados atletas de todos os países pertencentes à antiga Comunidade de países de língua inglesa, com plena autonomia de governação mas com ligação institucional ao Reino Unido. Faz um ano que o grande touro mecânico Ozzy, com dez metros de altura, entrou no Estádio Alexandra de Birmingham. Ei-lo!

A iniciativa vai avançar e os Jogos vão, em princípio, realizar-se. Não sem que muitas opiniões divirjam no sucesso financeiro da aventura. Estudiosos e gente das universidades interroga-se sobre as vantagens financeiras para a cidade e governo central, independentemente do fluxo turístico que o evento irá gerar. As eternas controvérsias entre o fazer e o não fazer. Muitos têm sido os exemplos de iniciativas condenadas à partida e que se tornaram uma vantagem enorme para as comunidades. Veja-se o caso da nossa Expo 98 que muitos já a tinham posto no “velório” final. Parece que as Jornadas Mundiais da Juventude estão a passar por um problema idêntico mas, tanto quanto as Câmaras envolvidas (Lisboa e Loures) já declararam, será um benefício para as zonas abrangidas pelo evento. Esperemos que sim.

Este evento faz-nos recordar o que se passou também com os chamados Jogos da Lusofonia, propostos e realizados sob a égide do Comité Olímpico de Portugal. O Comité, em 8 de Junho de 2004, criou a Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP) com o propósito de organizar os Jogos com a participação de todos os países de expressão portuguesa. Sendo a quarta língua mais falada do mundo (com cerca de 260 milhões de falantes) reuniu, como fundadores Angola, Brasil, Cabo Varde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, como associados, desde 2007, a Guiné Equatorial, Índia(Goa) e Sri Lanka.

Os Jogos da Lusofonia completaram 3 edições, duas na Ásia e uma na Europa. A primeira foi em Macau, em 2006, com a participação de 733 atletas de nove países em 8 modalidades desportivas. A segunda foi em Portugal, em 2009 com cerca de 1500 atletas distribuidos por dez modalidades desportivas. A terceira realizou-se em Goa, em 2014, com a participação de 11 países, e a realização de 10 modalidades diferentes.

O próximo país a realizar os Jogos seria Moçambique, ultrapassando a proposta do Brasil que se reservou para a edição seguinte. Infelizmente, em nossa opinião, os Jogos não tiveram continuidade por decisão do Comité Olímpico de Portugal. Aparentemente, pelas consultas à internet, a ACOLOP continua a existir e talvez, num futuro sem data marcada, os Jogos da Lusofonia poderão ser retomados.

O exemplo dos Jogos de Birmingham, por onde começámos este texto, talvez nos venha ajudar nos “pesos e contrapesos” de iniciativas deste género. Haverá iniciativas que, para além do Desporto, consigam reunir tantos participantes com o traço comum da língua? Talvez, nos tempos de hoje as oportunidades multiplicaram-se mas talvez seja bom não deixar cair, mesmo com algum esforço, as que se relacionam com o Desporto.

2 pensamentos sobre “OS JOGOS DA COMMONWEALTH E OS JOGOS DA LUSOFONIA

  1. A Lusofonia é um dado adquirido. E disso não podemos ter dúvidas. Seria bom que muitas iniciativas começassem a ver a luz do Sol, fazendo rejuvenescer o que sempre nos ligou : A nossa forma tão peculiar de nos relacionarmos sem o estigma da superioridade…!

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