Os Festivais da Canção

A Poesia, a Melodia e o amor

É normal, sempre que se ouve uma canção, tentar compreender a mensagem, o significado, ou mais em pormenor de curiosidade, o motivo que levou o autor a escrevê-la, tanta vez representada no cinema. O gosto pela música, de muitos, que movimenta meio mundo. Uma paixão, ou apenas a ideia de se realisar e conseguir um lugar no firmamento artistico.
Os tempos mudam, as ambições continuam a revelar novos talentos escondidos, e novas melodias aparecem a guarnecer o espaço cósmico. Preferia dizer, embelezar o espaço cósmico, ou o éter, como muitas vezes se ouvia dizer nas emissões da antiga Emissora Nacional.
Parece ainda tão recente, a canção Dream a Litle Dream of Me, na voz sempre melodiosa de Doris Day, deixando-nos entregues a sonhos próprios da idade da adolescência ..!
Belíssimos conjuntos musicais, a preencher o vazio daqueles dias em que nos sentíamos sem ânimo, enchendo o espaço com ritmos quase inimagináveis…! Benny Goodman, e o seu clarinete, ou Glenn Miller e todo o potencial dos Brass Instruments, tão característico da música moderna americana, com ritmos estonteantes.
Aqui pela Europa, os esforços de uma continuação de música ligeira, voltavam a mostrar que ainda se conseguia sobreviver, a partir das ruinas. De França, surgia-nos a voz de Édtith Piaf, entre uma avalanche de outras melodias, sempre com o vigor dos vencedores de corridas.
O francês que aprendiamos nas aulas, começava a dobrar de interesse, e começávamos a entoar as canções, decorando a letra, como se tratasse de decorar uma lição, aperfeiçoando a pronúncia exacta.
Os tempos de guerra começaram a ficar para trá, esquecidos. Decididamente, olhava-se para um futuro melhor e mais confortável. A poesia, aliada à música romântica, voltava a dar-nos a alegria de poder sonhar. Edith Piaf, representava, ao mesmo tempo que cantava as suas paixões, o Non, Je ne regrette rien, deixava-nos encantados pela sua força, ao mesmo tempo que desfazia os seus desesperos. Era sempre notícia…!
A poesia estava lá, com a força e beleza das suas canções, a dar o exemplo ao mundo, como o amor vence tudo. A paixão, tirando o lugar ao ódio, tornando a vida mais suave e cor de rosa.
La Vie en Rose, ainda perdura na memoria de tantos seus admiradores, e a letra que já tão poucos se lembram, talvez, dissesse tudo :

Des yeux qui font baisés les mieux
Un rire qui se perde sur sa bouche
Voilà, le portrait sans retouches
De l´homme auquel j´appartiens.
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose.
Il me dit des mots d´amour
Des mots de tous les jours
Et ça me fait quelque chose.
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause
C´est lui pour moi, moi pour lui
Dans la vie,
Il me l´a dit, j´ai juré pour la vie…!


De Itália, começaram a surgir novas canções, cheias de romantismo e de uma beleza surpreendente. O Festival de S. Remo, atirava cá para fora, canções que nos encantavam, falando de “ amore “, com vozes surpreendentes. E tantas foram as que nos encheram o peito de tanta beleza. Vamos ver o que nos dirá o próximo Festival, na sua 74ª edição, no próximo mês de Fevreiro…! Será que voltaremos a ver e ouvir, canções de beleza extrema, como nos apresentou Domenico Modugno, em Dio, Come ti amo…?
Era bom, que assim fosse, porque os horizontes estão a ficar demasiado carregado de núvens negras…!


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