O SRI LANKA E OS ELEFANTES

O Sri Lanka é um pequeno país no Oceano Índico, com uma área de 65610 km2, situado a sul da Índia e, devido ao seu formato, é apelidado como a “Lágrima da Índia”, dela apenas separada pelo estreito de Palk. É um país muito florestado, com antecedentes culturais que fazem dele, atualmente, uma terra muito procurada pelo turismo, não só pelas suas belezas naturais mas também pelas ruínas budistas que por lá se encontram, consideradas das mais antigas que se conhecem. São longos os seus antecedentes históricos. Já Camões, nos Lusíadas, fazia a referência a que os navegadores portugueses tinham “chegado à Taprobana”, primeiro nome pelo qual a ilha foi conhecida. Tornou-se independente em 1937 com o nome de Ceilão e só em 1972 estabilizou o nome de Sri Lanka pelo qual é hoje conhecido. A sua capital é Colombo e por lá vivem muitas pessoas de descendência portuguesa. São frequentes apelidos como Fernandes, Silva e muitos outros e o país sempre se candidata a Associações que integrem outros países de expressão portuguesa. Vivi momentos interessantes quando me encontrava no Comité Olímpico de Portugal e se constituiu, em 2004, a Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP), na qual também participaram, para além de Portugal, Brasil,Cabo Verde, Moçambique, Macau, Guiné e Angola, a Associação Olímpica de Goa (autónoma do Comité da Índia) e, claro, o Sri Lanka e a Guiné Equatorial (como observadores) invocando o facto de terem sido os portugueses os primeiros a chegar aos seus países . Fizeram-se três edições dos Jogos da Lusofonia: a primeira em Macau, em 2006; a segunda em Portugal, em 2009; a terceira em Goa em 2013.

A que propósito vem falarmos hoje do Sri Lanka? A razão é que há atualmente um confronto violento entre a população e os imensos elefantes que vivem na ilha e que sempre foram um motivo de orgulho do país. Nas minhas diversas reuniões com aquelas associações conheci o representante do Sri Lanka, Rohan Fernando, que me ofereceu um belo elefante em porcelana, como prova da importância que o país dava àqueles animais.

Elefante do Sri Lanka

Acontece que, atualmente, se tem processado uma violenta desflorestação das terras para fins que se prendem com investimentos imobiliários sempre mais rentáveis que as florestas. Em 1997 o Sri Lanka tinha cerca de 20.000 m2 de florestas e em 2021 essa área tinha sido reduzida de 2.100 m2. Esqueceram-se, no entanto, que os elefantes precisam de alimentação e do seu próprio meio ambiente de vida. E o que aconteceu foi que os elefantes começaram a invadir povoações e a atacar pessoas . No ano passado já tinham morrido 176 pessoas atacadas por elefantes e, por outro lado, tinham sido abatidos 470 elefantes. O Sri Lanka tornou-se assim o pior cenário mundial de confrontos entre pessoas e elefantes. Embora a caça ao elefante seja punível por lei os caçadores furtivos continuam o seu “turismo” sem consequências aparentes. O governo já criou barreiras de arame eletrificado para dissuadir a aproximação dos elefantes mas o que diz o Dr. Prithiviraj Fernando, membro do Conselho para a Conservação e Manutenção do Território, é que “a população deverá tudo fazer para viver em paz com os elefantes”.

Assim seja!

Um pensamento sobre “O SRI LANKA E OS ELEFANTES

  1. Os investimentos imobiliários descoordenados são em todos os locais onde se processam uma fonte de riqueza para uns, poucos, e uma fonte desespero para outros, muitos. Esperemos que no Ceilão se consiga um equilíbrio que seja bom para a generalidade da população e também para os elefantes

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