AS “SENHAS” VIRÃO MESMO DO ALGARVE?

O cronista do Jornal do Algarve, Salvador Santos, escreve no último número do jornal qualquer coisa que, parecendo ser coincidência, não deixa dar que pensar.

Relembra S. Santos no seu texto, que cito com a devida vénia, que na noite de 4 de Dezembro de 1910, Mendes Cabeçadas (um algarvio), fazendo parte da guarnição do Adamastor como segundo-tenente, foi incumbido pelo diretório da revolução para à 1h e 20m dar ordem de disparo às peças do navio iniciando, dessa forma, a sublevação que implantou a república e terminou com a monarquia em Portugal. República de que, como almirante, veio a ser Presidente, embora por pouco tempo.

Na Fundação Mário Soares guarda-se o registo magnético com a gravação original da “senha” do 25 de Abril de 1974, gravado às 18:00 horas do dia 24, para ser transmitido no programa “Limite “ da Rádio Renascença, às 00:20 h, como confirmação do início das operações militares que levaram ao derrube da ditadura. Carlos Albino, escritor e poeta (também algarvio) conseguiu que os textos fossem emitidos por Leite de Vasconcelos (completamente alheio ao que estava preparado) aos 20 minutos e 19 segundos do dia 25 de Abril.

“Mendes Cabeçadas e Carlos Albino são dois algarvios. Poderá ter sido uma coincidência da História o facto de caber a estes dois conterrâneos o protagonismo das senhas das duas revoluções democráticas do século XX.”

Mas o cronista assusta-se e interroga-se sobre o facto de ter sido no Algarve que o Chega obteve a sua maioria mais significativa. Assume-a como um acidente da História e recusa a ideia do Algarve ter dado uma “senha” para uma regressão em marcha. O mais importante para ele é, ao escrever: Se o facto de dois algarvio terem desencadeado a revolução republicana e a revolução de Abril pouco ou nada significar para os algarvios enquanto “património da liberdade” por que razão havemos de tirar ilações maiores destas eleições?

Esperamos que o cronista tenha razão.

Um pensamento sobre “AS “SENHAS” VIRÃO MESMO DO ALGARVE?

  1. Caro Manuel José, certamente foi a 4 de Outubro que Mendes Cabeçadas deu a senha…

    Quanto ao resultado das eleições no Algarve ser uma senha para o chega, não podemos acreditar nisso. Certamente haverá problemas na região que levaram os eleitores a votar como votaram. Mas não será o chega que os irá resolver. Há que confiar nos partidos democráticos

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