Uma casa de banho é uma divisão que, nas nossas casas, serve para irmos de vez em quando ou então em grandes apertos de urgência. É um compartimento que estimamos, do qual ficamos amigos, mas do qual exigimos pouco. Um bom duche, uma confortável sanita, um lavatório com um bom espelho para fazer a barba e pronto, está resolvido.
Claro que em hotéis com muitas estrelas ou em palacetes de gente famosa a coisa pode complicar-se. Pode haver saunas, locais de massagens, banhos turcos e quejandos. Mas o essencial, como atrás enunciei, nunca pode faltar. É um sítio de recato, digamos mesmo, de ocultação de uma certa humilhação da condição humana. Sem esquecer, claro, o inevitável e indispensável rolo de papel higiénico. A iluminação é frugal, dirigida e nada mais.
Nunca me passou pela cabeça guardar na casa de banho documentação ou materiais de consumo essencial. Por muito boa que seja a ventilação, os cheirinhos impregnam-se com muita facilidade.
Ora não parece ser o caso do agora tão badalado Donald Trump. A sua reconhecida falta de comportamento social decente levou-o a guardar na sua faustosa casa de banho (não sei se a única) em Mar-a-Lago, documentos públicos, de Estado, quando teve que abandonar a Casa Branca.

Note-se que esta casa de banho tem lustre de iluminação, embora o cortinado da banheira me pareça um bocado “foleiro”. Bom, com cheiros ou sem cheiros, o certo é que o Donald foi acusado de desvio indevido de documentos oficiais do Estado e, como tal, condenado por isso. Esta acusação veio juntar-se muitas outras que começaram, talvez, com a denúncia de Stormy Daniels, atriz pornográfica de alta roda que diz ter mantido relações sexuais com Donald pelas quais terá recebido uma quantia de 130.000 dólares, oriundos de fundos públicos e verbas de campanha. Outras e diversas acusações vieram juntar-se a esta, sobretudo em temas ligados a negociatas milionárias com envolvimento sempre de dinheiros públicos. Trump foi considerado culpado em 34 acusações, basicamente por falsificar registos comerciais de acordo com a Lei Penal de New York, Artigo 175 ( 11 acusações relacionadas com faturas falsas, 11 por cheques emitidos por Trump para reembolsar o seu advogado e 12 relacionados com registos contabilísticos para reembolsos diversos ). Os tribunais ainda lhe penhoraram muito património (inclusive a célebre Torre Trump de apartamentos em New York), por vezes apenas temporariamente até serem pagas as cauções. Mas isso não impediu que o tribunal federal (com uma juíza nomeada por Trump) para o qual recorreu considerasse tudo isso irrelevante para o processo de candidatura no qual se encontra envolvido como candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos. Kamala Harris, antiga promora pública em diversos estados americanos, já veio denunciar os crimes (porque é disso que se trata) em que Trump esteve envolvido ao longo da vida. Como atual candidata à Presidência, Trump não deixará de a insultar de todas as maneiras possíveis (aliás, já começou).
Bom, se a moda pega, se calhar também viremos a ter por cá candidatos a postos políticos diversos a quem “mesquinhices“ deste género calharão como sopa no mel. Duvido é que tenham casas de banho do nível da de Trump para preservar os bens que possam vir a retirar, discretamente, do património público.
Nunca desmereçam das casas de banho…
Neste contexto, a frase adequada é a de que Trump não é flôr que se cheire!
GostarLiked by 2 people
A “sra” teve razão em se queixar porque devia estar à espera de 130.000 e não 130.00. Coitadita!!!
Enviado de Outlook para Androidhttps://aka.ms/AAb9ysg
GostarLiked by 1 person