O PRESIDENTE DO COMITÉ OLÍMPICO DE PORTUGAL

Faleceu recentemente, justamente no final dos Jogos Olímpicos de Paris, o Presidente do Comité Olímpico de Portugal, Dr. José Manuel Constantino, vítima de grave doença que o acompanhava há algum tempo.

Posso falar dele com toda a serenidade, na medida em que disputei com ele a Presidência do COP, em 2013, tendo sido ele o vencedor desse confronto de ideias. Ideias muitas delas coincidentes e outras mais divergentes, mas todas elas construtivas. Afastei-me dessas atividades mas pude acompanhar o trabalho que o Dr. José Manuel Constantino foi desenvolvendo no seio do COP. Foi um trabalho inegavelmente valioso ( a despeito de qualquer controvérsia interna que possa ter existido) mas cujos resultados finais não podem deixar de ser enaltecidos. Nesta fase final da sua carreira e da sua vida revelou uma inegável coragem para defrontar a doença que o acabou por vitimar.

Mas dele ficam espólios olímpicos valiosos como as 4 medalhas e 15 diplomas ganhos pela equipa olímpica portuguesa em Tóquio em 2o20/2021, como as medalhas e o comportamento da equipa nos últimos Jogos de Paris onde, apesar das suas debilidades já reconhecidas, compareceu e animou alguns atletas com quem se foi encontrando.

Fui acompanhando também, ao longo dos últimos anos, (na minha qualidade de membro de mérito do COP) as reorganizações internas que foram sendo promovidas com as quais fui, de uma forma geral, concordando.

Ele soube escolher o Chefe de Missão para os Jogos de Tóquio e Paris ( o Marco Alves que conheço bem por ser do meu tempo) e por saber que a Chefia de Missão é a chave da boa organização no terreno da equipa desportiva. Posso dizê-lo porque fui Chefe de Missão em Sydney 2000 e sei dos fatores inesperados que sempre surgem nestas situações.

José Manuel Constantino, para além de ser licenciado em Desporto , era um combatente de primeira linha pela ética desportiva e um defensor, junto das Instituições, do que entendia serem as obrigações do Estado e do apoio que devia ser dado aos atletas olímpicos (na sua preparação e no seu desempenho).

Quando dos Jogos Olímpicos de Tóquio publicou um documento de sua autoria que, com o devido respeito, transcrevo:

“Trata-se de uma missão sui-generis, pois ocorre num ano após a sua previsão inicial e num contexto de restrições, atendendo à pandemia que ainda se vive no Japão. É num contexto social onde a maioria do povo japonês gostaria que os Jogos fossem novamente adiados ou não se realizassem. Partimos com exata noção da severidade da situação que vamos encontrar”.

José Manuel Constantino deixa saudade aos que mais de perto com ele lidaram. Será substituído, temporariamente, por um vice-Presidente, até que as eleições se realizem em Março de 2025.

Espero e desejo que os candidatos à próxima Presidência reunam as condições necessárias para o continuado progresso do COP.

Aqui fica uma palavra de apreço ao Dr. José Manuel Constantino.

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