UM POEMA NO MEIO DO PAVOR

Com todas as desgraças que, diariamente, nos são relatadas pela comunicação social sentimo-nos amargurados, muitas vezes com falta de esperança que ainda haja bondade no mundo.

Encontrei por acaso um poema escrito em 1913, pelo francês Barnabouth, que pela expressão da sua bondade nos adoça a alma.

Um dia, em Kharkow, num bairro popular
(Oh, esta Rússia meridional, em que todas as mulheres,
Com xailes brancos pela cabeça, têm ares de Madonas),
Vi uma jovem que voltava da fonte,
Carregando, à moda do país, como no tempo de Ovídio,
Dois baldes suspensos dos extremos de um pau
Em equilíbrio no pescoço e nos ombros.
E vi uma criança esfarrapada aproximar-se dela e falar-lhe em voz baixa.
Então, inclinando amavelmente o corpo para a direita,
Ela fez de maneira a que o balde cheio de água pura tocasse o chão
Ao nível dos lábios da criança que ajoelhara para beber.



Digam lá se este poema não vos faz lembrar qualquer coisa dos nossos dias. A bondade, no meio do pavor, é eterna.

Um pensamento sobre “UM POEMA NO MEIO DO PAVOR

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