Conheço alguns amigos que, há uns anos, faziam as suas férias de invernos nas mais famosas estâncias de ski. Alguns deles voltavam reluzentes do sol e do frio a que se sujeitavam, outros voltavam, e não eram poucos, de muletas, com joelhos torcidos e, alguns, com pernas partidas. Mas adoravam o desporto e, no ano seguinte, lá estavam de novo, talvez com maiores cuidados para não lhes acontecer o mesmo.
Nunca fui praticante desse belo desporto. Primeiro porque era muito caro, muito para além do pouco que sempre me custaram outras atividades desportivas a que me dediquei. Só umas vezes na serra da Estrela convivi com alguns desses amigos que iam skiar enquanto que eu me limitava a fazer “sku” (modalidade mais cómoda, sentado numas “bacias” plásticas). Falta de jeito e de audácia.
Mas para os tais que procuravam as melhores estações europeias a coisa está a complicar-se. Por falta de neve, e por muito diferentes condições meteorológicas, muitas dessas estações estão a fechar. Já não as procuram porque sai caro fazer ski na relva…
A estação de Vasteras, na Suécia , foi a primeira a “mudar de ramo”: dedicou-se à alta cozinha dando sempre a possibilidade das vistas maravilhosas que se pode desfrutar. Muitas delas tinham iniciado as suas atividades nos anos 70 do século passado mas os nossos vizinhos espanhóis iniciaram o Guadarrama nos ano 40.
Um estudo recente verificou que das 21 estações de ski que receberam Jogos Olímpicos de Inverno só uma ainda funcionava no final do século, a de Sapporo, no Japão. Nos Jogos de 2022, em Pequim, recorreram exclusivamente à neve artificial.
Nos Estados Unidos e Canadá ainda vão conseguindo manter locais para a prática do desporto mas em muitos outros países, como a Alemanha e a Eslovénia, estão a oferecer aos seus visitantes excelente gastronomia, circuitos para bicicleta de montanha e passeios em grupos também pelas montanhas.
Esta coisa do clima não é irreal. As perturbações e alterações climáticas são já hoje uma realidade irrecusável.
Para mim, na minha inocência, só fico preocupado com o Pai Natal. Como é que ele conseguirá vir de trenó, puxado pelas suas renas, para trazer as prendas para a criançada no Natal. Tenho a impressão que é mais uma despesa que vai cair nos bolsos dos pais e que, segundo parece, também não está previsto no Orçamento de Estado…
Não fazia ideia de que já havia estâncias de ski obrigadas a mudar de ramo, e outras fechadas, por falta de neve! E a Serra da Estrela como está ?
E muita gente continua de olhos fechados às alterações climáticas!
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