Edith Piaf esteve em Lisboa para festejar o 100º aniversário do cinema/teatro Tivoli. A sala estava a abarrotar de um público bastante variado: o que já conhecia e tinha cantado Piaf e o que, já a tendo talvez cantado, não lhe conhecia a figura nem o seu sobressalto em palco.
Claro que não foi Piaf em pessoa que veio desta vez . Nascida em 1915 veio a falecer em 1963, época em que, para os da minha idade, era frequente vê-la e ouvi-la televisivamente. Nunca estive num espetáculo seu mas as suas canções fizeram vibrar os da minha geração e de algumas seguintes. Chamaram-lhe “La Mome Piaf” (A Pequena Pardal) e foi considerada a 10ª maior personalidade francesa de todos os tempos.

Para além de muitas outras, as suas canções “La Vie en Rose”, “Non je ne regrette rien” , “Hymne à l’Amour” ficaram e ficarão para sempre entre os maiores êxitos mundiais da canção de “boulevard”. Pena é que o que entusiasmo atual pela língua francesa seja bem inferior à que se vivia há umas décadas atrás.
Edith Piaf teve uma vida atribulada e de grande sofrimento. A sua ingenuidade artística levou-a a ser enganada por muitos dos que a rodeavam. Durante a ocupação alemã da França na 2ª Guerra continuou os seus “shows” tendo sido acusada de traidora. Mas, pelo contrário, como sempre afirmou, trabalhou árdua e clandestinamente para a Resistência francesa. Estreou-se no teatro com a peça de Jean Cocteau, “Lê Bel Indifferent”. Nos enormes tropeções da sua vida amorosa conheceu, em 1944, Yves Montand com quem viveu um período de paz enamorada. A seguir, em 1948, conheceu o pugilista Marcel Cerdan, campeão do mundo de boxe, francês nascido na Argélia mas que morreu num desastre de avião em 1949. Teve ainda um romance com Charles Aznavour e, finalmente , em 1962, casou com o cabeleireiro francês de origem grega, Théo Serapo, 20 anos mais novo que ela mas com quem viveu até ao seu falecimento em 1963.
Mas o que o Tivoli viu ontem, nas comemorações do seu 100º aniversário foi uma fantástica artista francesa , Anne Carrere, que replica com enorme talento e personalidade em palco, todos os êxitos de Piaf.

O que os espectadores ontem ouviram foi o desempenho de uma fantástica cantora de “music-hall” que a todos transportou aos tempos de Piaf com uma invulgar capacidade para, recordando-a, se sobrepor à magia de Piaf. Com a fama que já tem em França e pelo mundo fora estou certo que as atuais gerações passarão a cantar Carrere, mesmo sabendo que a imagem difusa da Piaf anda por ali.
Uma última referência ao extraordinário conjunto que a acompanha (piano, bateria, baixo e acordeão) que lhe deram tudo o que era preciso para o êxito enorme que fez cantar toda a plateia.
Non, je ne regrette rien por ter ido ao Tivoli e ter faltado a outros compromissos.
Também sempre apreciei muito as cações de Edith Piaf
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