Este conto não é, realmente, adequado à época natalícia mas, por outro lado, talvez sirva para nos lembrar que, mesmo nestas épocas, é bom que não esqueçamos que há monstros no mundo.
Um taxista paquistanês a trabalhar no Reino Unido foi declarado culpado, juntamente com a mulher e o cunhado, do assassinato da filha do casal, Sara Sharif, de 10 anos de idade. Sara foi encontrada morta num beliche em casa da família em Surrey a 10 de Agosto de 2023. Havia sido morta dois dias antes de acordo com a confissão escrita do pai que, com a mulher, fugiram para o Paquistão.
A autópsia revelou que Sara tinha 71 ferimentos externos, incluindo contusões, queimaduras e marcas de mordidas humanas. Tinha pelo menos 25 fraturas, incluindo 11 na coluna. Sara sofreu um “inferno” diário quando foi lentamente torturada até à morte ao longo de meses pelo pai, Urfan Sharif, que foi descrito no tribunal como um psicopata descontrolado.

O homem de 43 anos acabou por ser condenado por homicídio no tribunal de Old Bailey após um julgamento de 8 semanas. O juíz do processo, juíz Cavanagh, disse aos jurados: “Eu sei que um julgamento por assassinato é sempre stressante e traumático, mas este caso quase acima de qualquer outro, tem sido extremamente traumático. Cumpriu magnificamente o seu dever. “
O taxista mentiu repetidamente ao júri durante seis dias ter agredido Sara. Mas no sétimo dia de provas disse aos jurados que assumia a total responsabilidade pela morte dela.
Mark Chapman, da polícia de Surrey disse que o controlo daquela família remontava há alguns anos e tinha sido encaminhado para o Tribunal de Família. Nenhum contacto se seguiu. Este caso transformou-se num fracasso devastador no que respeita à proteção de crianças em risco.
Tratei hoje este caso pelo incómodo que a notícia me causou e resolvi transmiti-la como um alerta a tantos casos que se passam em toda a parte, e no nosso país também, sem que disso nos apercebamos ou, em muitos casos, nem são comunicados.
Natal é tempo de crianças, de filhos, netos e bisnetos, é “obrigatoriamente” uma época em que os adultos os devem fazer felizes. Este exemplo tão chocante talvez nos alerte ainda mais para os bens preciosos que são as crianças. Com as suas correrias, os seus “disparates”, as suas bulhas, as ternuras que se dispensam entre si, entre irmãos e amigos. Não há pais que não se sintam incomodados com a história aqui contada. Não é uma história de Natal mas talvez ajude muita gente a interiorizar tudo isto e, como se costuma dizer: “Fazer de todos os dias um Natal”.
Boas Festas!