De acordo com a notícia de hoje publicada no Jornal de Notícias o arquiteto Álvaro Siza Vieira foi convidado pelo Museu Nacional da Imprensa, numa cerimónia realizada no Jardim das Oliveiras, no Porto, para criar uma obra de homenagem à figura do Zé Povinho, eternizada por Rafael Bordalo Pinheiro há cerca de 150 anos.

A escultura será feita em mármore branco e terá cerca de dois metros de altura mas o projeto ainda está em estudo e não há data prevista para a sua apresentação oficial.
A figura do Zé Povinho é das mais apreciadas pelos portugueses porque espelha, com humor e muita realidade, tudo do que nos queixamos no nosso dia a dia, independentemente de governos e qualquer outra modernice. Zé Povinho é a expressão mais genuína de todos nós, expondo a única reação que nos é legítima (o manguito) sem que sejamos penalizados.

Zé Povinho
Por tudo isto fica-se aguardando o trabalho final de Siza Vieira. Recorro, para o efeito, a um pequeno poema de Nuno Júdice que transcrevo:
SIZA VIEIRA, desenhos
De uma linha exacta no branco do papel
Nascem corpos, aves, jardins, esboços
De edifícios, formas que acompanham
O traço, que procuram o volume, que riscam
A perspectiva no risco íntimo
De um interior, ou no exterior de avenidas
Por onde passa o rio da humanidade;
E, tal como o verso que rompe o limite
Da linha, o desenho voa, com o peso
Da sua leveza, para os espaços que constrói.
Por tudo isto, espera-se que o novo Zé Povinho de Siza Vieira nos delicie e nos continue a permitir fazer o gesto que os portugueses mais apreciam.
Figura característica do desespero português, tão genuina, que na sua rudeza natural, faz reduzir, momentâneamente, a pequena revolta que se sente, perante as arbitrariedades de outros, e de certas governações mal conduzidas…! Talvez a nova estátua, talhada no puríssimo mármore branco de Arraiolos, possa ser colocada em frente das bancadas de alguns partidos, lá para as bandas de São Bento…! Talvez, a sua presença, faça relembrar a força unificada do voto..! Ora toma…!
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