Quando acidentalmente ou de forma periódica alteramos os nossos ambientes de vida,mesmo que por pouco tempo, damo-nos a olhar para coisas diferentes das outras com as quais convivemos a maior parte do tempo. Encontramo-las, principalmente, nas paredes, em gravuras ou quadros (ou objetos) que nos trazem, inapelavelmente, recordações saborosas a que o passar do tempo (como é o meu caso) acrescentou alguma melancolia. Julgo que estas “revisitações” são comuns a muitos de nós mas temos a tendência de as deixar para trás, e vê-las numa próxima oportunidade. Essas oportunidades vão acontecendo sem sabermos, nem de longe nem de perto, quando terminarão. É a vida, é a lei da vida.
Como estou numa dessas fases de revisitação não perdi a oportunidade de as convocar e plasmá-las neste texto.
Começo por uma, de minha autoria (imagine-se) em que tentei reproduzir a imagem que se via do corredor lateral do Liceu que frequentei, o Passos Manuel, em Lisboa, nos prédios da Travessa de Jesus (que vai da Calçada do Combro até à Igreja de Jesus), no tempo em que os telhados estavam enxameados de antenas de televisão (daquelas que às vezes davam bem e que noutras alturas nos irritavam com as tremuras das imagens).

Outra relembra-me uma viagem que fiz a Cuba, a uma Assembleia Geral dos Comités Olímpicos Internacionais, e de onde trouxe uma aguarela maravilhosa, discretamente enrolada no fundo da mala para que na fronteira não tivesse surpresas.

Do Brasil tenho 3 recordações : uma que me foi oferecida por um familiar

E outras duas que trouxe do nordeste brasileiro (Estado de Sergipe) one um filho meu viveu uns anos:


Outra aguarela é da autoria de um camarada da Escola Naval (já falecido há anos) que me pediu para escrever umas linhas para ele as incluir na pintura. Assim fiz e o que resultou está aqui:

Fui, já me deixei disso há muitos anos, colecionador de canecas. A primeira que comprei foi em Hamburgo, numa viagem de instrução , que ofereci à minha mãe. Está ali em frente:

Para acabar (porque estas revisitações poderiam prolongar-se) deixo aqui uma gravura digitalizada por uma das minha netas, representando a primeira casa de família em que vivemos em Monte Gordo.

Fico por aqui. Se calhar é a nostalgia de verão que nos induz estas revisitações. Que só têm interesse para quem as viveu, claro.
Mas experimentem a fazer o mesmo e talvez se surpreendam com as maravilhas que têm por casa sem darem bem por elas.
Belas recordações que nos acompanham pela vida fora, com inúmeros momentos do ” já aqui estive, em tempos “, e nos vão refrescando a memória, com belas histórias, hoje, supostamente impossíveis…!
Reviver um passado, com suspiros de saudades, que põem à prova, o quanto fomos capazes de fazer…!
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