GOSTAM DE POMBOS?

Um pombo, em si mesmo, é uma ave comum nas cidades e nos campos de quase todos os países. É quase doméstico e muitos outros são profissionais de carreira. São os pombos correios que entram em competições internacionais, muitas vezes com prémios avultados. São muito treinados para percorrerem grandes distâncias, até locais bem determinados, e aí são controlados retirando-se-lhes a anilha que leva uma mensagem e pondo-se-lhes outra, de resposta, para o regresso. São pombos de competição, inscritos na Federação Portuguesa de Columbofilia e na Federação Internacional respetiva. Existem em Portugal muitos promotores dessa atividade, devidamente inscritos, e não se pense que é uma atividade barata. Não há muitos anos a Federação portuguesa era das mais abastadas financeiramente, desenvolvendo grandes iniciativas com Federações estrangeiras. Não é, claro, um Federação olímpica mas tem assento nas assembleias relacionadas com o desporto.

Esta faceta não se compadece, no entanto, com o apetite culinário e os grandes “chefes” de cozinha, fazem com pombos autênticas iguarias. O pombo grelhado é, por sinal, uma das especialidades mais procuradas em França, Bélgica e China. Dizem que é uma carne muito nutritiva quando se trata de pombos criados em fazendas devidamente controladas (lá vem a ASAE a propósito).

Não se deve, no entanto, alimentar os pombos urbanos para evitar doenças e pragas públicas. E quando os pombos são muitos, os seus dejetos são um tormento social. Lembro-me, no entanto, de um aspeto poético relacionado com pombos quando, há muitos anos, no filme “Mary Poppins”, se via uma velhota, à porta de uma igreja, ouvindo-se, em fundo, a maravilhosa música/canção “Feed The Birds” (podem procurá-la na internet onde a encontram com facilidade). Ainda não há muitos anos havia , em Monsanto, Lisboa, um Clube de Tiro aos Pombos para onde iam os grandes atiradores com espingarda de caça. Muitos dos pombos não eram mortos, ficavam apenas feridos e, de uma forma geral, acabavam todos no Rossio ou Restauradores, onde gente reformada os ia alimentando. A Câmara Municipal proibiu essa atividade e o Clube de Monsanto passou a ter apenas tiro aos pratos.

Vem toda esta introdução a propósito de uma atividade praticada na Índia, considerada como um ato de piedade, chamar e alimentar centenas de pombos cuja população aumenta descontroladamente neste país.

Há uns dias em Nova Délhi

Lembro-me de ter vivido, há dois verões atrás, uma praga de pombos que, tendo fugido dos incêndios que nesse ano se verificaram no barlavento algarvio, acabaram por encontrar no sotavento, onde eu estava, o refúgio maior para as suas vidas. Só que “essas vidas” tinham o inconveniente de deixar o pátio da minha casa e de outras nas vizinhanças, inundados de dejetos que nos obrigavam, logo de manhã, antes do pequeno almoço, a fazer uma lavagem com mangueira que durava uma hora. E, no dia seguinte , a mesma coisa. No fim do verão só não fomos para a um hospital psiquiátrico porque, felizmente, a saúde aguentou.

Pombos, para mim, nem grelhados nem de escabeche. E, se possível, longe da vista. E veremos se na Índia tudo continuará como um ato piedoso…

Um pensamento sobre “GOSTAM DE POMBOS?

  1. Quando eu era ainda garoto, a minha avó paterna, uma senhora excessivamente religiosa, afirmava-me…! Não trates mal os pombinhos, que são a companhia de Nossa Senhora…! Não sei se seríam, assim, tão boa companhia…! O que eu sei, é que apanhei em África, alguns pombos verdes, que me deliciaram com ” molho vilão “, uma especialidade culinária pouco conhecida, nos tempos actuais…!

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