OLHAR E NÃO VER

Julgo que nos acontece a todos olhar para objetos que nos rodeiam, com os quais convivemos diariamente, e não lhes darmos uma observação mais detalhada ao seu conteúdo. Sobretudo quando se trata de vidas já longas, as coisas que nos rodeiam já fazem parte do casulo a que nos habituámos e que fazem parte do nosso quotidiano.

Foi o que se passou recentemente com um quadro para o qual olho todos os dias às horas das refeições e a que só prestei atenção mais detalhada nos últimos tempos. Trata-se de um quadro constituído por tecido bordado (não sei em que tipo de ponto) representando instrumentos de culinária de velhos e novos tempos. Alguns deles já nem se utilizam com os progressos da vida, mas as suas imagens lembram-nos bem as suas existências. Este quadro bordado foi-nos oferecido por uma familiar nossa quando dedicava os seus tempos livres a esta arte do bordado.

Quadro bordado

Repare-se na quantidade de instrumentos de que os mais velhos se recordarão e os mais novos talvez tenham visto em casas paternas.

O almofariz , a terrina da sopa, o moedor de café, a cafeteira de pega ao lado são objetos antiquados mas que não perderam a sua beleza.

O quadro é muito gratificante e é um bom exemplo de o olharmos todos os dias e “não o ver” nos seus pormenores mais delicados.

É quase uma obra prima e não deixarei a breve trecho de dar, de novo, os parabéns à sua autora que felizmente está viva mas dedicando-se a outras coisas menos exigentes.

Um bom exemplo para “ver e não só olhar!

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