Uma viagem ao Norte…!

Longe vão os tempos, em que era impensável viajar até ao Porto e regressar a Lisboa, com a mesma boa disposição da partida…! Não é que, por motivos profissionais, não as tivesse feito antes, mas o cansaço era bem visível, depois de ter percorrido uma estrada que obrigatoriamente passava por Caldas da Rainha, Alcobaça, Leiria e Coimbra…! Coisas do passado, que muitos já esqueceram, e a tantos outros, que nunca a conheceram, nem podem imaginar como era stressante, percorrer quilómetros, a executar ultrapassagens quase que em contra-relógio. Ultrapassagens a viaturas mais lentas ou ainda ter que andar atrás de um ou outro camion, a largar parte da carga, por negligência do operador…! E esse tempo decorrido, não foi assim há tantos anos…! Pois, 1991, para quem ainda se lembre, foi o final de todo esse suplício.

Mas, andar nas auto-estradas, terá sido o fim de todos os suplícios ? De podermos viajar com segurança, não obstante circularmos com o conforto que os automóveis ou autocarros nos oferecem hoje ? Declaradamente, direi que não…! A minha última experiência de ontem, ao viajar para o Porto, mostrou-me como tudo se tornou novamente perigoso, pela despreocupação, ignorância, falta de educação, talvez ainda mais pelo egoísmo de quem conduz, desrespeitando as regras que os levaram a obter a carta de condução…! Seria fastidioso, enumerar os perigos que se nos oferecem, numa viagem longa e que se esperava um pouco mais cuidada…! Por uma minoria, talvez, que pelas razões óbvias, se torna excessiva…!

Mas, à parte este preâmbulo que se tornou longo, a chegada ao Porto, tem sempre aquele prazer de uma visita a um velho amigo, com aquele sotaque nortenho tão característico, das vogais abertas e de sorriso fácil, quando solicitamos ajuda para encontrarmos um melhor caminho, no meio daquele labirinto de fachadas graníticas e de janelas largas…!

Tudo ficou para trás, aquando da passagem sempre expectante, da Ponte da Arrábida. A vista maravilhosa sobre o Douro e a Foz, o desvio para Campo Alegre, a Constituição, a rotunda da Boa Vista e a Casa da Música. E muito mais para diante, ao cimo da Avenida dos Aliados, o estacionamento e a procura do restaurante eleito, pelas tantas vezes que ali fomos bem acolhidos…! Como nada é eterno, esse restaurante, optou por um modelo mais sofisticado, possivelmente na senda de uma estrela Michelin. Pratos de elegância requintada, compostos artisticamente e desenhados a régua e esquadro, pela nova vaga de chefes cozinheiros…! Não…! Não era o momento exacto, para aquele género de elegância. Fiquei com saudades daquele outro menu de qualidade, bem mais genuino, de um bom ” anho ” ( borrego ) à Padeiro, do pudim Abade de Priscos e de um bom vinho do Douro, Reserva, da própria garrafeira, servido por pessoal não menos qualificado. Decididamente, virámos costas, e fomos procurar novos eleitos genuinos, para as próximas viagens ao Porto…! Há um ditado bem português…! ” Quem procura, acha “…! E assim foi !

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