Portugal e o Impossível

Durante as comemorações do 25 de Abril, foram muitos os discursos políticos. A minha atenção desdobrou-se em vários sentidos , a fim de compreender o que vai na alma dos portugueses. Pareceu-me e eu fiquei muito contente, por ver mais uma vez que todos amam a liberdade e continuamos a ser patriotas e confiantes, recusando viver com aquela espécie de colete de forças que nos impedia de alimentar ideais democráticos, que nos obrigava a acreditar em outras motivações patrióticas, há muito gastas. Histórias perdidas na evolução dos povos, que se incutia no espírito de uma maioria ignorante, impedidos de conhecer outros horizontes. Perdidos numa sociedade de diferenças e de arrogância, com falso estatuto da grandeza da alma lusa, muitos desistiam, fugindo para França e Alemanha, ou ainda para a Bélgica e Holanda, à procura de nova vida, regressando mais tarde em férias, já desejáveis, trazendo consigo, o fruto de um outro desenvolvimento que por cá tardava. Foram tempos difíceis, a que nos fomos habituando desde pequenos, a conviver com uma realidade que já não existia em quase nenhum país europeu. A conviver longe de uma realidade, que um outro tipo de civilização nos levava ao sonho, e em alguns momentos, pensar-se fugir, seria a mais acertada. Um patriotismo, que hoje se ilumina de maneira diferente…!

Dos discursos deste 25 de Abril, sem grandes variações dos anteriores, com o mesmo teor e fervor partidário, apenas o discurso do Sr. Presidente da República, me despertou pela curiosidade de ser diferente de todos os outros. Intelectualmente diferente, que possivelmente passou despercebido a alguns portugueses, que se habituaram a reclamar tudo, sem pensar que comparativamente com o passado, dão tão pouco, recebendo tanto…! Do Impossível em que Portugal se formou, até ao Impossível dos dias de hoje, quanta bravura, quantos sacrifícios e quantos sofrimentos foram necessários, para que chegássemos a ser, hoje, o que somos. Uma descolonização não pensada, com o sofrimento de tantos outros portugueses, que acreditavam na eternidade da nação, como ela era apresentada. O que poderíamos ser, mesmo que fossem apenas sonhos, e o que acabamos por ser. Ainda que uma pálida nação livre e moderna, mas mantendo-se cheia de vida ? Talvez porque aprendemos a lidar com o Impossível, dominando os receios, recreando o que perdemos e fazendo-nos respeitar, com aquele orgulho, que por vezes nos falta e de vez em quando nos reaparece na alegria contagiante de canções como a de Grândola- Vila Morena, tão entusiasticamente cantada por crianças e idosos. Uma ode, à Sociedade em que vivemos, com tolerância e solidariedade. Ao Serviço Nacional de Saúde e à Segurança Social. Uma súplica ao bem estar e à felicidade, às reformas dignas e apoios ao desemprego, mantendo a dignidade e independência das famílias afectadas, ainda não totalmente conseguida. Um convite ao Investimento e à Investigação Técnica. À Modernidade, ao Trabalho e à Justiça. Ao Ensino, à Educação e ao Respeito pela pessoa. Um país, onde mais uma vez, possamos continuar a transformar o Impossível no Possível que desejamos ser…!

Um pensamento sobre “Portugal e o Impossível

  1. Como um dia alguém disse: Só é impossível até acontecer. E uma das grandes questões ligada à democracia é a Liberdade. A Liberdade tão importante e essencial, mas que supõe responsabilidade, integridade, justiça, equidade, inclusão, dignidade, tolerância, respeito… palavras/conceitos que todos verificamos serem tão difíceis de pôr em prática e tão temidos por toda a Sociedade. Sejamos. Sejamos Liberdade em cada um de nós. Por nós próprios e por todos. Sejamos enquanto sociedade com princípios e valores fundamentais. Que sejam reinventados, renasçam e dêem asas à humanidade para um futuro mais digno, verdadeiro e justo.

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