O COMÉRCIO DE BAIRRO

 

Nesta minha empreitada  de Teletrabalho (hoje já publiquei o dia 3) decidi dedicar um pequeno texto a um tema que reputo do maior interesse, levando em conta as privações de mobilidade por que estamos a passar.  Trata-se das nossas compras alimentares ou  de emergência. A tendência maioritária é irmos ao chamado supermercado e ali comprarmos tudo o que é necessário e urgente. Se alguém comprar três ou quatro vezes mais do que aquilo que precisa dará um enorme prazer ao supermercado, levando em conta a subida acentuada das suas vendas. Isto é, as grandes lojas, pertencentes a grandes grupos,  terão muito mais vendas e nunca deixarão de funcionar. Mas então e as lojas de bairro, o pequeno comércio? Como poderão sobreviver nesta fase se, em condições normais, as suas vidas já não são fáceis? Esta crise pode-nos dar uma excelente oportunidade de contribuir para o comércio local, o chamado comércio de bairro. São, de uma forma geral, espaços acolhedores, talvez sem a oferta total que os supermercados facultam, mas com os artigos suficientes para preencherem as nossas necessidades quotidianas. Seria, no meio da crise, uma boa forma de apoiar as pequenas empresas, muitas delas familiares,  que vivem perto de nós e que, infelizmente, por elas passamos sem delas nos lembrarmos. Sou do tempo da mercearia de bairro, em que o  empregado era conhecido lá de casa, tomava nota do que de lá se levantava durante o mês (escrito num papel manhoso), entregavam as compras em casa num enorme cesto empalhado e a conta lá aparecia no fim do mês para pagamento regular. Era uma comunidade de vida que foi desprezada e mal tratada nos últimos tempos. Os grandes grupos deslumbraram os nossos sentidos, apelaram à inegável comodidade de encontrar tudo, sem exceção, à beira de um longo corredor que, ainda por cima, nos leva, não poucas vezes, à compra por impulso. Tudo isto está estudado e nós sabemos que é assim mas, infelizmente e por desleixo, não damos, a maior parte de nós, a importância e a necessidade do comércio próximo, local, amigo.

Excelente altura esta de, percorrendo espaços menores para satisfação das autoridades, aproximarmo-nos de novo das pequenas lojas que, se virem com cuidado, têm, de uma forma geral, tudo o que precisamos para a vida corrente, com especial ênfase nos “chamados frescos” que têm origem, geralmente, nas quintas dos tios e dos primos dos proprietários. Vamos regressar ao comércio de bairro para o salvar desta terrível intempérie. O outro, o comércio grande, já está salvo há muito tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 pensamentos sobre “O COMÉRCIO DE BAIRRO

  1. Por aqui, optámos por apenas ir, quando realmente necessário, às compras, um elemento da família. Acabou por ter que ser o Ricardo (marido e pai) por várias razões, entre as quais o facto de eu estar com uma contractura muscular na lombar desde há uns dias. Optámos, também, pelo comércio de bairro pelas razões aqui escritas e optámos, também, por ajudar os pais nesta altura em que as pessoas com mais idade e de risco, devem ter ainda um cuidado acrescido.
    A união faz a força, sempre. Nos bons e nos piores momentos /fases das nossas vidas. Uma forma de solidariedade, amor e gratidão, que acompanha sempre os meus /nossos valores e princípios.
    Boa partilha.

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