Lacunas na Educação

Os americanos andam preocupados com falhas no seu sistema escolar que, segundo dizem os seus especialistas, nada se diz aos alunos sobre a chamada “Era da Reconstrução “ americana. É um período de 12 anos que se segue à Guerra Civil Americana e que terá sido importante para alguma destruição de dogmas raciais e sociais por todo o país. Nessa época alguns avanços civilizacionais foram promulgados e defendidos embora, como se sabe, sem êxito completo. Foi o caso de conceder aos negros americanos os direitos de cidadania total. Os investigadores reconhecem hoje que essa legislação foi muito mais orientada , em termos federais, para narrativas referentes à resiliência da comunidade Negra Americana ao criar organizações de ajuda e apoio ou comunidades religiosas próprias. Os direitos totais de cidadania, sem oposições ou contradições, nunca terá sido completamente adquirida.

O conhecimento desses factos e da insuficiente determinação governamental a nível de todos os Estados teria permitido compreender a realidade da supremacia branca que se traduziu recentemente no assalto de 6 de Janeiro do ano passado ao Capitólio ou à morte de George Floyd às mãos da polícia. O que se tentou fazer na chamada Era da Reconstrução não é ensinado e o seu conhecimento é parcial ou inexistente. Nas entrevistas realizadas pelos investigadores, os próprios professores/educadores confessam que não se sentem preparados nem confortáveis para abordar esse tema. Sem uma abordagem clara do que se passou nessa época limitará sempre a história do racismo na América.

Estas lacunas educacionais existem, praticamente, em todos os países. Entre nós, por exemplo, ensina-se tudo o que diz respeito aos Descobrimentos, ao 25 de Abril e suas sequências mas, tanto quanto sei, passam em branco fases menos luminosas da nossa História. É o caso das nossas intervenções na 1.a e 2.a Guerra Mundiais, embora os eventos sejam referidos em abundância. Mas se pensarmos no que se passou com a nossa descolonização africana a partir de 1961, verifica-se que os conhecimentos dos jovens são muito escassos. O governo da época criou o estatuto do indigenato que promulgava a igualdade racial para a população africana de Angola e Moçambique, objetivo que nunca foi alcançado. Ao discurso retórico do isolacionismo de Salazar ao dizer: “ na batalha de África combatemos sem espetáculo e sem alianças, orgulhosamente sós” , seguiram-se as independências precipitadas e atribuladas da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique e Angola, todos apoiados pelas organizações internacionais. Nessa fase de descontrolo colonial meio milhão de portugueses residentes nas colónias regressaram de urgência a Portugal. Foram apelidados de “retornados” e viram as suas vidas altamente prejudicadas. Portugal conseguiu absorver toda essa multidão (somos um país pequeno) e criar condições de vida para toda essa gente.

Estes pormenores históricos são passados de raspão pelo nosso ensino, quando o são, o que faz com que muitos dos jovens de hoje ignorem um feito importante do seu país e não entendam , com abrangência, as realidades políticas dessa fase.

Como na América, muitos países dissolvem épocas importantes das suas Histórias o que não contribui para uma educação mais completa das suas juventudes. Ensinar tudo contribui para uma melhor democracia e, dessa forma, para uma melhor capacidade de escolha em liberdade.

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