COITADA DA MONA LISA

Esta coisa da revolta dos agricultores, iniciada em França e já espalhada por outros países europeus começa a ter as suas consequências. Bloqueio de estradas, de pontes, exigência de melhorias de trabalho e de remunerações fazem parte de um pacote de reivindicações que os governos estão a estudar para ver como podem arranjar uma conciliação. É claro que tudo isto se mistura com épocas eleitorais, o que é normal.

Em paralelo e suporte a essas manifestações houve um grupo de jovens que invadiram, tranquilamente, o Louvre, em Paris, e despejaram latas de sopa de abóbora para cima do quadro da Mona Lisa. Claro que o quadro não foi afetado porque já estava protegido, desde 2005, por vidro à prova de bala. As manifestantes gritavam se não seria mais importante o país ter comida do que ter arte. Pergunta de resposta difícil. Mas este mesmo grupo de manifestantes já em 2022 haviam tentado pintalgar o quadro com “As Flores” de Van Gogh, rebelando-se, nessa altura contra os combustíveis fósseis. Claro que têm sido sempre presas mas, ao fim de algum tempo, lá saem em liberdade para pensarem noutro ataque às artes.

Muitas pinturas têm sido atacadas, como as de Claude Monet, Barberini e Vincent van Gogh, claro. O ataque mais grave teve lugar em 1956, realizado por um boliviano (não se sabe porquê) e só a partir daí a Mona Lisa passou a ser protegida por vidro à prova de bala.

Coitado do Leonardo da Vinci e dos outros pintores que nunca terão pensado que as suas obras poderiam causar não só admiração mas como enormes perturbações aos museus que as arrecadam.

A mim faz-me pena e já pensei em arranjar um grupo de militantes que fosse visitar a tela e lhe levasse docinhos de Portugal: chocolates da Arcádia, caramelos molinhos (dos que não se pegam aos dentes), um prato de bolos de folha algarvios, uma torta de ovos, umas arrufadas de Coimbra, coisas, enfim, que poderão amaciar a vida dos que passarem algum tempo a admirar a obra. Talvez, sabe-se lá, com as novidades da Inteligência Artificial, a Mona Lisa nos possa dar uma piscadela de olhos para quem a passou a tratar tão bem…

Arranjem outras originalidades e não estraguem a sopa de abóbora que nem sempre é a “sopa do dia” nos restaurantes mais acessíveis.

2 pensamentos sobre “COITADA DA MONA LISA

  1. É claro que sem comida não pode haver arte, mas não é destruindo a arte que se consegue consegue mais comida. Os protesta são úteis para chamar a atenção para coisas que estejam em falta, mas não faz mal nenhum serem feitos com bom senso

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  2. Fruto do tempo…! A sensação incómoda, de que o mundo pára e pouco ou nada evolui. Um mar vazio de ideias que se transforma num estímulo de contestação, quase imparável. O que se vê passar nestes tempos, não vão deixar saudades. O conhecimento tecnológico a que se chegou, causa o efeito contrário, ao que se pensaria ser o garante de um futuro há muito ambicionado. Afunda-se no egoismo e nos interesses, na saturação de uma paz frágil que não deixa vislumbrar melhores horizontes, tornando os povos nervosos, a deixar de acreditar. Os jovens, bem mais conhecedores do que eram noutros tempos, descobrem que também tem direitos, e se tornam esquecidos. Sem serem considerados, tentam fazer-se ouvir, atravez da irreverência, mostrando, grosseiramente, o seu inconformismo. Serão eles, os mais sacrificados, pelo egoísmo dos mais velhos, dos actos, e da tibieza das decisões. O mundo não parou ! Apenas, tem vindo a tropeçar nos seus próprios passos, esquendo as responsabilidade de gerir melhor os assuntos da humanidade, como lhe foi conferido, dentro dos parâmetros da liberdade, do respeito e da democracia…!

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