VAI FAZER 50 ANOS

Sim, o nosso famosíssimo 25 de Abril de 1974 vai fazer 50 anos. Vivi, felizmente, esses tempos espantosos e conturbados já como adulto e com responsabilidades profissionais e familiares. Na idade que já tenho lembro-me bem de quase tudo, não de tudo, porque há nomes que já me escapam com muita pena minha. Participei, inclusivamente, com grandes amigos meus, em peripécias e pequenas aventuras que nunca mais esquecerei, nos tempos que se seguiram a 74.

Por tudo isto resolvi ir relembrar factos e nomes através de fotos e textos de Rui Ochoa no seu livro “74/99” , publicado em Maio de 2023.

O livro começa com um longo texto/prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que relembra os factos e muito do ambiente vivido naquela época. Não é minha intenção relatar ou descrever as peripécias da altura mas apenas relembrar alguns dos momentos e nomes que protagonizaram essa época e que, a esta distância, nos podem surpreender ou servir de referência para os que não eram nascidos nesses anos poderem interessar-se por mais detalhes que já fazem História.

As fotos do livro trazem-nos tanques e militares passando pelas ruas da Baixa lisboeta e as imensas manifestações que se verificaram por todo o país. Criaram-se grupos enormes de cidadãos anónimos, sindicatos de todas as atividades que passavam pelas ruas exibindo imensos cartazes com gritos de liberdade, de uma liberdade que tinha sido conquistada pelo 25 de Abril e que, até essa data, não passava de esperança para alguns e resignação para outros. Tinham sido 48 anos de silêncio forçado, de súbito interrompido por uma torrente imparável de imensa alegria e, naturalmente, com alguns excessos. Temos imagens do que que se passou, logo a seguir, a 1 de Maio, Dia do Trabalhador, em que o já existente Partido Comunista tentou dominar, de diversas formas, a sociedade agora despertada. O 25 de Novembro desse ano foi um momento libertador dessas tentativas totalitárias e, a partir daí, facções militares e civis mais moderadas começaram a ganhar forma e a trazer tranquilidade a um país em alvoroço. Ainda em Julho de 1974 uma foto mostra-nos a fundação do Partido CDS, na sua sede do Caldas, com os protagonistas Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa. Era um partido de direita católica e social que, com grande coragem, acolheu uma boa parte da população que hesitava em aceitar os partidos já existentes, o PS e o PSD. Outra foto apresenta os resultados de um atentado bombista feito à porta do centro de trabalho do PCP, ex-hotel Vitória, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Aparecem muitas fotos com diversos protagonistas da época como Mário Soares, Sá Carneiro, Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Gonçalves, Melo Antunes (coordenador do famosos Grupo dos 9) e de Ramalho Eanes que, em 15/11/1976 foi eleito como 14º Presidente da República Portuguesa. E, para os mais desprevenidos, também aparece uma foto do famoso Arnaldo de Matos, do MRPP, mais conhecido pelo “educador da classe operária”.

Há belas fotografias com a aprovação da nova Constituição de 1976, aprovada no Parlamento por todos os partidos com exceção do CDS. A Constituição foi apresentada pela comissão presidida pela deputada do PS Sophia de Mello Breyner Anderson Tavares e tendo, como relator, Manuel Alegre.

A partir daqui o livro exibe fotos espantosas de factos que muitos já não lembrarão: as cheias na zona de Lisboa de 1983, o terramoto na Ilha Terceira, Açores, que deixou Angra do Heroísmo praticamente em ruínas e o incêndio do Chiado em 1988.

Os avanços da ciência portuguesa não foram esquecidos pelo autor apresentando foto do primeiro bébé-proveta, nascido no Hospital de Santa Maria em 1986, bem como a implantação de um novo coração a uma paciente já adulta que conseguiu viver mais uma década.

Há fotos da vinda do Papa João Paulo II a Fátima, depois do atentado de que tinha sido alvo na sua anterior visita. Aparecem as imagens de artistas já consagrados, como Paula Rego e Júlio Pomar, de Amália Rodrigues com o futebolista Eusébio, e outras que nos relembram a Expo 98 e a entrega de Macau à China em 1999.

Enfim, uma visita muito interessante ao nosso passado recente com figuras e factos de que muitos já não se lembrarão. Por tudo isto vale a pena comprar ou consultar este livro de Rui Ochoa, 74/99, porque irão encontrar estes e muitos outros factos que nos deliciam a todos.

E tudo porque este ano se celebram os 50 anos do 25 de Abril de 1974.

3 pensamentos sobre “VAI FAZER 50 ANOS

  1. Cinquenta anos, faz esquecer muita coisa, com a banalização da liberdade . E é bom que se cultive o gosto pela democracia e os deveres e direitos de cidadania, nem sempre bem compreendidos por todos, como se tem visto em certos sectores da sociedade.

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