CANADÁ, DE GAULLE, QUEBEC

Aprecio positivamente, de forma mais empírica do que científica, o Canadá e as sua gentes. Viajei turisticamente pelo Canada há já longos anos e conheci algumas cidades da costa leste (atlântica) como Montreal, Toronto , Otawa e, claro, Quebec. Disse claro porque há em Quebec um ambiente diferente nas ruas, um perfume talvez mais europeu, vasos com flores espalhadas em muitas varandas da cidade, enfim, algo que retive e me faz lembrar mais Quebec do que o frio de gelo que apanhei, na altura, em Otawa.

Mais tarde, em 2010, fui a Vancouver, na costa oeste do país, como Chefe de Missão aos Jogos Olímpicos de Inverno desse ano. Foi uma experiência enriquecedora que me deixou boas memórias, por motivos óbvios, mas sem a “marca de água” que Quebec me tinha dado uns anos atrás.

O Canadá distingue-se dos Estados Unidos, seu vizinho, pela urbanidade do seu povo, talvez da forma de estar mais serena da sua população. Não sei se isto corresponderá à realidade mas é essa a impressão que retenho. Não sei se a influência de o Canadá pertencer à Commonwealth britânica desde 1931 (com renovação de acordos em 1949), sempre como país independente, lhe terá dado essa tal diferenciação de que tenho vindo a falar.

Quando me lembro ou falo deste tema vem-me sempre à memória a visita feita pelo General De Gaulle, Presidente da República Francesa, em que, num discurso proferido em Montreal, quando em 1967 assistia à Expo 67, proclamou bem alto a célebre frase : “Vive le Quebec Libre!”. Apesar das muitas críticas que lhe foram feitas este tema não saiu da História até hoje.

Foto de De Gaulle com o Mayor de Montreal, Jean Drapeau, 1967

O Canadá ganhou visibilidade mundial com o seu presidente Pierre Trudeau que governou em dois períodos: 1968 a 1979 e 1980 a 1984. Foi ele que criou o bilinguismo oficial (inglês e francês) já reconhecendo a realidade das duas cidadanias internas.

Pierre Trudeau

Os anos passaram e os tempos atuais são muito diferentes e exigentes para os lideres mundiais. Não é por acaso que os governantes da Índia, África do Sul e França têm vivido enormes sobressaltos. Para não falar no chanceler da Alemanha que, já em minoria, se prepara para difíceis eleições em 2025; ou ainda para o Primeiro Ministro japonês que foi obrigado a retirar-se.

No Canadá passa-se o mesmo e o atual PM, JustinTrudeau, filho de Pierre, líder do Partido Liberal, vê-se agora confrontado com o já poderoso Partido Conservador, liderado por Pierre Poilievre, que defende o bloco francófono de Quebec.

Justin Trudeau

Justin Trudeau tem 52 anos e é o 23º PM desde 2015 pelo Partido Liberal. Suspeita-se que não vá viver os mesmos êxitos do pai porque no Canadá, como em todo o mundo, “vivem-se momentos de mudança”.

Do que resultará do bloco francófono de Quebec, se o Partido Conservador ganhar as eleições, ainda não é claro. Os estudiosos e analistas políticos mundiais avançam com a ideia de um forte ressurgimento dos nacionalistas de Quebec o que talvez imprima ao país uma ainda maior tendência europeia.

Não esqueçamos o discurso de 1957 de De Gaulle: Viva Quebec Livre!

Um pensamento sobre “CANADÁ, DE GAULLE, QUEBEC

  1. Tempos difíceis, os de hoje, que servirão para abrir novas brechas, a favor de novas ordens hegemónicas, que miram, escutam, e agem na escuridão, por oportunidades de comando. Um mundo novo, que não conseguiu aprender com o sofrimento dos seus ascendentes…!

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