Apesar dos desejos de Boas Festas toda a gente anda desconfiada do próximo ano. Os comentadores, nacionais ou estrangeiros, derramam os seus pareceres sobre o próximo ano com um sorriso nos lábios mas com olhares desconfiados. Na nossa terra ninguém acredita que a coisa vá correr bem. Cada vez que alguém do governo ou com outro tipo de responsabilidades aparece a dizer qualquer coisa, em boa verdade todos desconfiam…
Cada vez que nos atrevemos a pensar no mundo e no que por lá se passa, não podemos deixar de ficar apreensivos. É o Putin que ataca e diz coisas que assustam o mundo; os israelitas que atacam e matam milhares de pessoas inocentes; as turbas de religiões ou crenças opostas que se digladiam até à morte; o Trump que aí vem e ninguém sabe o que vai fazer depois de todas as alarvidades que disparou; os tufões, as tempestades e os ciclones que têm aparecido pelo mundo fora com a explicação científica de que o ambiente anda a ser destruído pela espécie humana; os miseráveis que andam espalhados pelo mundo e que as televisões retratam com implacável dureza; a inoperância dos governos para gerarem a paz e a tranquilidade social; uma Europa, onde sempre vivemos, e que se diz agora desprotegida, fraturada, sem um espírito de solidariedade que sempre foi o seu timbre; gente que diz que a democracia acabou e que há que inventar outros nomes para os regimes e profetas que nos invadem por todas as esquinas; também temos cá disso e toda a gente se interroga sobre o que vai acontecer; há quem diga que já está a acontecer e que os grandes movimentos mundiais de pensamento radical se estão a reunir e preparar novos sistemas de gestão (ou comando) para um mundo apático e descrente das gentes e dos meios que os tem governado. Já tenho, feliz ou infelizmente, idade para me lembrar do que se passou na 2ª guerra mundial, dos Hitlers, dos Stalines e dos Mussolinis que, de longe, preencheram a nossa juventude. E do Vietnam e da bomba atómica no Japão. Não, o mundo nunca foi fácil e hoje esses horrores chegam-nos em direto, pelas plataformas digitais. Inventaram até uma coisa maravilhosa, a IA (Inteligência Artificial) , que todos exaltam mas que, no fundo, muitos receiam pelas nefastas utilizações que dela podem ser extraídas.
Os comentadores, a que às vezes me submeto a ouvir , asseguram, com confiança, desgraças vindouras, algumas delas sem se perceber as razões em que se baseiam. Ignoraram ou, pelo menos desprezam, os contra-balanços do mundo e da humanidade, tudo aquilo que poderá vir a opor-se a vontades de volúpia momentânea que os medíocres “estadistas” que nos vão aparecendo propagam em exaltados comícios apenas para seu próprio benefício. Até o Papa e Dirigentes de outras opções religiosas vêm a terreno tentando pôr um pouco de tranquilidade no mundo aterrado em que vivemos. A cultura anda arredia das gentes, a educação e a cultura deixaram de ser o alfa e o omega das nossas civilizações e, na sua ausência, as miseráveis redes sociais dos oligarcas deste mundo, preenchem todo esse vazio e encharcam a juventude de verdades fictícias e barbaridades indizíveis. Que são, infelizmente, interpretadas como as verdade de um mundo novo.
Por isso todos temem o ano que se aproxima. Vão acontecer coisas, como sempre nos anos passados. Isto não é profecia, é a realidade.
Por isso, desejar Boas Festas aos nossos familiares e Amigos continua a estar na moda. Um Bom 2025 para todos, não esquecendo que a Vida se prolonga até ao seu “segundo final”. Quem o determina não sei, mas há muita gente que sabe.
Boas Festas e Tudo de Bom para 2025!
Há momentos em que me felicito por ter alcançado os noventa anos. Uma idade, em que já poucas portas poderão abrir, e se contenta em reviver percursos efectuados. Memórias, que vão trazendo para a actualidade, recordações, em curtos episódios.
Histórias, sem o brilho da luz de um manhã risonha, que nem sempre foi, e se esfumaram na vastidão dos anos.
A erosão do sentido da razão e da credibilidade, que os ventos das paixões e dos ódios, sempre tentaram levar para o mar longínquo, deixando a dor e o desespero, a espraiar-se nas areias quentes da praias.
A pequena centelha da alma humana, que nos orientou e acompanhou, nos tempos em que tudo nos parecia normal, sem sabermos do sabor da liberdade, sempre se manteve, encolhida, esperando por melhores dias. Tempos, em que a censura nos cortava o direito de ler o que nos parecia ter interesse, enquanto, despudoradamente, mãos estranhas, violavam cartas de familiares e amigos, censurando o que lhes parecia não estar politicamente correcto…!
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