Grandes áreas dos oceanos do planeta ficaram mais escuras nas últimas duas décadas. Esse escurecimento tem uma influência muito grave na fauna marinha. Os estudos revelam que mais de um quinto dos oceanos do mundo escureceram entre 2003 e 2022 o que equivale, aproximadamente, a 75 mil km2, que corresponde, mais ou menos, às áreas terrestres da Europa, África, China e América do Norte combinadas. O escurecimento dos oceanos traz implicações graves para os eco-sistemas marinhos, para a pesca global e a rotatividade crítica de carbono e nutrientes nos oceanos.
A maior parte da fauna marítima navega e alimenta-se nas zonas mais iluminadas dos mares e oceanos. Embora a luz solar possa atingir 1 km abaixo das ondas, na prática há pouca luz abaixo dos 200 metros. É nas zonas mais superficiais que os animais se alimentam e se reproduzem, pela disponibilidade de alimento abundante. Este escurecimento tem origem, segundo os cientistas, em mudanças na circulação oceânica ou no aquecimento oceânico decorrente das mudanças climáticas.

Os organismos marinhos usam a luz para muitas atividades como caçar, para acasalar, para cronometrar eventos reprodutivos.
Os mares costeiros são mais sensíveis às atividades humanas, como profusão de esgotos, acumulação de lixo sobretudo na vertente das massas plásticas derramadas pelos humanos para o mar.
Com o escurecimento dos oceanos os animais têm de subir numa coluna de água onde, havendo menos espaço, acabam por se esmagar em direção à superfície.
Os estudos que estão a ser realizados por diversos institutos científicos alertam-nos para esta tremenda realidade que nos escapa no nosso dia a dia. O nosso país, dispondo de uma enorme área marítima , deve acautelar tudo o que tenha a ver com a conspurcação das águas para se aliar à salvaguarda que deve ser promovida às espécies marítimas que nos circundam e nos visitam.
Esperemos que isso esteja a acontecer.