AS NOSSAS LISTAS DE CONTACTOS

De uma forma geral todos nós temos uma lista de contactos telefónicos que usamos com maior ou menor frequência. Essas listas podem ser em caderninhos velhos e estafados que vamos guardando com o maior dos enlevos ou, em grande parte,na época digital em que vivemos, nos nossos telefones ou nos iPads que a maior parte de nós utiliza.

Por curiosidade fui fazer uma apreciação estatística desses meus contactos. São, no seu total, 484. Dei-me ao trabalho de contar quais dessa lista já tinham falecido. Eram 21. Mais cerca de 50 são nomes de que já nem me lembro quem são, ou faço confusão com as suas entidades. Muitos deles são, claro, contactos esporádicos que não voltei a utilizar. Mas não apaguei nenhum deles. Alguns dos nomes já desaparecidos relembram-me velhas e grandes amizades com quem tive o prazer e orgulho de privar e recordá-los é quase uma atitude terapêutica e de reflexão mental. Não os apaguei nem nunca os apagarei.

Convivi recentemente, no almoço de um familiar, com alguns companheiros de profissão do meu tempo de estudos com os quais, por acaso, abordámos também este tema dos contactos. As nossas idades devem ter contribuído para isso… Curiosamente todos eles me disseram o mesmo: nunca apagaram os contactos antigos das suas listas.

Muitos filósofos e pensadores se têm pronunciado sobre este tema das recordações. Baltasar Gracian disse que “ Recordar é viver duas vezes”. O tão discutido José Saramago disse que “As memórias são a nossa identidade. Sem ela, deixamos de ser nós”.

Fiquei consolado com estas e outras declarações que encontrei. Mais uma razão para manter intacta a minha lista de contactos. E convosco? Passa-se o mesmo?

Um pensamento sobre “AS NOSSAS LISTAS DE CONTACTOS

  1. Penso, que Saramago, teria tido razão…! As recordações, também são cúmplices, na formação do carácter e no ânimo das pessoas, companheiros inseparáveis, do nosso raciocínio, e influenciadores de desisão ! A forma de enfrentar a vida, tantas vezes, alicerçadas nas boas ou más recordações, emprestando-nos a força anímica, que por vezes, nos falha…! O acumulado de conhecimentos, que por actos, ou por estudo, nos vão servindo de exemplos, formatando romances, que nunca se escreveram, e tantas vezes dão o verdadeiro sabor à vida mundana, em choques de personalidade !

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